A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) identificou uma advogada que contribui com o crime organizado no Acre, levando e trazendo mensagens das facções rivais Bonde dos Treze e Comando Vermelho. A investigação, iniciadas em 2020 pela Delegacia Especializada de Combate a Roubos e Extorsões (DCORE) e, posteriormente, conduzida, pela DRACO, está em fase de conclusão, com pedidos de prisão preventiva, busca e apreensão e quebra de sigilos telefônicos protocolados à Justiça acreana.
As diligências e relatórios produzidos pelos investigadores foram desencadeados a partir do cumprimento de uma ordem de busca e apreensão na residência de Luiz Viana dos Santos, membro do Bonde dos Treze, em julho do ano passado.
Com a quebra do sigilo telefônico autorizada pela Justiça, o Departamento de Polícia Técnico Científica, periciou o aparelho celular apreendido na operação de busca. A extração de dados faz parte do laudo nº 1250/2020 e embasou a representação encaminhada ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.
Luiz Viana, embora tenha negado a prática do crime, foi preso em flagrante por integrar organização criminosa. No aparelho celular, havia uma série de dados que apontavam para o seu envolvimento.
A advogada também foi alvo de um mandado de busca e apreensão. Sua participação na organização criminosa consta no relatório 199/2020 da persecução penal. No dia 17 de julho de 2020, ela teve acesso aos presos Lucas de Freitas Murici (Conselheiro do Bonde dos Treze) e Selmir da Silva Almeida (Conselheiro do Comando Vermelho).
No telefone da advogada, a DRACO descobriu que sua missão “era diminuir um conflito de interesses das organizações, referente a possíveis ameaças contra mulheres de presos, identificadas como cunhadas”, revela o relatório.
Em consulta feita ao Sistema de Automação Judiciária (SAJ) do Tribunal de Justiça do Estado do Acre, os investigadores perceberam que a advogada não fazia a defesa de nenhum dos réus rotineiramente visitados.
Vários encontros foram registrados com o réu Lucas de Freitas Murici. Segundo relatório , Lucas nunca foi defendido pela advogada mensageria, e sim, legalmente, pelo advogado Fladeniz Pereira da Paixão.
“Tal fato extrapola os serviços advocatícios. Resta nítido que a advogada, a qual por outras vezes teve acesso ao preso Lucas de Freitas Murici, atua como mensageira da organização criminosa”, diz a representação na pág. 32.
Conduzida pelo delegado Pedro Buzolin, a investigação aponta a atuação dos líderes do Bonde dos Treze e do Comando Vermelho em pelo menos 100 bairros de Rio Branco e a extensão das organizações pelos municípios de fronteiriços como Plácido de Castro, Capixaba, Cruzeiro do Sul, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo, Rodrigues Alves, Jordão, Tarauacá, Feijó e Santa Rosa do Purus.
Agora, a polícia quer saber até onde vai a atuação da advogada, que pode estar vinculada com o “Conselho Final” (primeiro escalão do crime) até o terceiro escalão conhecido como “Frente dos Bairros”, onde ficam os pontos de vendas de drogas e o recolhimento de pagamentos.




















