IMPÉRIO DAS DROGAS

Traficante foragido do Acre que mantém vida de luxo no Rio de Janeiro usa lojas em Rio Branco para lavagem milionária de dinheiro


A Polícia Federal (PF) cumpriu no Acre nesta quarta-feira (1º) a Operação Héstia e descobriu um esquema milionário de lavagem de dinheiros que usava lojas de extintores no estado para praticar o crime.

A operação tenta prender o chefe da operação, Adayldo de Freitas Ferreira, de 36 anos, que leva uma vida de luxo no Rio de Janeiro e está foragido de Rio Branco desde 2017, quando conseguiu fugir do Hospital Santa Casa de Misericórdia, na capital, após fazer um buraco no forro do banheiro do apartamento que estava internado para tratamento médico.

Na ocasião ele já havia sido preso e aproveitou um tratamento de quatro meses que fazia no hospital para empreender a fuga.

Preso fez buraco no forro do banheiro para fugir — Foto: Arquivo Pessoal
Traficante fugiu por buraco feito na parede da Santa Casa

A PF acredita que Adayldo leva hoje uma vida de luxo na Favela da Maré, capital fluminense, após ter conseguido fugir do Acre. Para manter os carros e as regalias, ele conta com o apoio do empresário Erico Batista de Souza, mais conhecido como Erik Extintores, do ramo de venda de extintores de incêndio, para lavar o dinheiro do tráfico de drogas.

Segundo a investigação, Batista usava sete empresas sediadas em Rio Branco, Epitaciolândia e Cruzeiro do Sul a fim de simular o funcionamento regular dos estabelecimentos e justificar os valores e bens obtidos com o lucro do tráfico interestadual de drogas.

Das 7, duas eram fictícias e existiam apenas no papel. As outras cinco não funcionavam de maneira regular e mantinha uma posição de empresa de fachada, disse o chefe da força tarefa de Segurança Pública do Acre, Otávio Fonseca, que ressaltou ainda que o grupo praticava lavagem de dinheiro pelo menos desde 2014.

Empresário acreano do ramo de venda de extintores usava sete empresas no AC para lavar dinheiro, diz PF — Foto: Arquivo pessoal
Erik Extintores costuma ostentar luxo nas redes sociais

Ainda conforme à PF, o grupo criminoso movimentou mais de R$ 43 milhões de reais em suas contas bancárias durante o período investigado, grande parte através de transações em espécie, inclusive para o exterior e investimentos em gado e imóveis. Ao todo, foram bloqueados judicialmente mais de R$ 19 milhões em bens da organização criminosa.

Caçada a Adayldo

A Operação Héstia também foi à comunidade da Maré, no Rio de Janeiro, para cumprir dois mandados de prisão expedidos pela Justiça do Acre. No entanto, segundo a PF, os agentes foram recebidos a tiros ao chegarem no local.

Durante o confronto, a PF apreendeu um fuzil, carregadores, uma pistola, munições, granada, drogas e rádios comunicadores.

A operação contou com o apoio operacional de policiais federais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes do Rio de Janeiro e de policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) do estado do Rio de Janeiro.

Também forma cumpridos mandados em Natal (RN) e Boca do Acre (AM).

 

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André Diogo