POLÍTICA

PRESSÃO: Contratos Ligam Eduardo Bolsonaro à Gestão Financeira de Filme sobre Jair Bolsonaro


Documentos Revelam que Eduardo Bolsonaro Atuou como Produtor-Executivo de “Dark Horse” e Tinha Poderes sobre Orçamento, Captação de Recursos e Decisões Financeiras do Projeto

A produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), entrou no centro de uma nova polêmica após documentos obtidos pelo Intercept Brasil apontarem que Eduardo Bolsonaro exerceu papel direto na gestão financeira da obra.

Segundo a reportagem, contratos assinados digitalmente por Eduardo contradizem declarações feitas por ele nas redes sociais. O parlamentar havia afirmado que sua participação no projeto limitava-se à cessão de direitos de imagem da família Bolsonaro. No entanto, os documentos indicam que ele atuou oficialmente como produtor-executivo do longa-metragem.

O cargo conferia a Eduardo poderes relacionados ao controle orçamentário, captação de investimentos e articulação financeira da produção.


Eduardo Bolsonaro Aparece como Produtor-Executivo em Contrato

De acordo com o contrato revelado pelo Intercept, assinado em 30 de janeiro de 2024, a produtora americana Go Up Entertainment aparece como responsável pelo filme. No documento, Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) são listados como chefes da produção-executiva.

Entre as atribuições descritas no contrato estavam:

  • Controle do orçamento do filme;
  • Identificação de fontes de financiamento;
  • Busca por patrocinadores;
  • Captação de incentivos fiscais e créditos;
  • Preparação de documentos para investidores.

Os registros indicam ainda que Eduardo participava das “considerações estratégicas relacionadas ao financiamento” do projeto.

A defesa de Mario Frias negou que Eduardo tenha exercido formalmente o cargo ou recebido recursos oriundos de fundos de investimento ligados ao filme.


Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro entram na Investigação

A controvérsia ganhou força após o vazamento de áudios atribuídos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nos quais ele cobraria recursos do banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção cinematográfica.

Vorcaro está preso desde março, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção.

Após a divulgação dos áudios, surgiram suspeitas de que parte dos recursos pudesse ter sido enviada para Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde o ano passado. Tanto Flávio quanto Eduardo negaram qualquer transferência com essa finalidade.

Segundo o Intercept, mensagens trocadas em março de 2025 reforçam o envolvimento direto de Eduardo na engenharia financeira do longa, inicialmente chamado de “O Capitão do Povo”.


Filme sobre Bolsonaro teria Operado sem Autorização da Ancine

Outro ponto central das denúncias envolve supostas irregularidades na produção do filme junto à Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Documentos obtidos pelo Intercept apontam que a Go Up Entertainment teria realizado filmagens no Brasil sem cumprir exigências previstas na legislação audiovisual brasileira.

Segundo a Ancine, a produtora:

  • Não registrou oficialmente a produção;
  • Não apresentou contratos obrigatórios;
  • Não comprovou vistos de trabalho para profissionais estrangeiros;
  • Não protocolou documentação exigida para filmagens internacionais.

A legislação determina que produções estrangeiras filmadas no Brasil precisam ser conduzidas por uma produtora brasileira registrada na agência reguladora.

Em nota enviada ao Intercept, a Ancine afirmou:

“No caso do filme em questão não houve qualquer comunicação ou autorização pela Ancine.”

A agência também informou que não existe pedido de registro comercial do longa e que não possui informações sobre financiamento ou classificação da obra.


Denúncias Trabalhistas e Condições Precárias no Set

Além das questões financeiras e regulatórias, a produção enfrenta denúncias de trabalhadores envolvidos nas gravações.

Segundo sindicatos do setor audiovisual, profissionais brasileiros relataram:

  • Atrasos de pagamento;
  • Contratações sem formalização;
  • Alimentação inadequada;
  • Restrições ao uso de banheiro e celular;
  • Condições degradantes no set;
  • Maus-tratos a figurantes;
  • Episódios de agressão física.

Ao menos 14 figurantes articulam ações judiciais contra a produção, conforme revelou o jornal O Globo.

A presidente do Sindcine, Sonia Teresa Santana, afirmou que encontrou um ambiente precário durante visitas ao local das gravações:

“Não tinha nada de glamour. Eu estive no set, montado nos fundos de um hospital, sem segurança nenhuma e com uma precariedade impressionante.”


Produção Milionária Levanta Dúvidas sobre Destino dos Recursos

O orçamento do filme também passou a ser questionado após revelações de que cerca de R$ 61 milhões teriam sido captados junto ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Mario Frias classificou “Dark Horse” como uma “superprodução em padrão hollywoodiano”, declaração também reproduzida por Flávio Bolsonaro em entrevistas.

No entanto, relatos de profissionais envolvidos descrevem uma estrutura improvisada, pagamentos abaixo do mercado e até dívidas pequenas não quitadas, como um suposto calote de R$ 5 mil em um café utilizado como locação.

As inconsistências levaram investigadores a apurar se os recursos enviados aos Estados Unidos teriam sido realmente destinados ao filme ou usados para custear despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro no exterior.


Estreia de “Dark Horse” pode Enfrentar Obstáculos Legais

O ator Jim Caviezel, protagonista do longa, chegou a anunciar estreia para 11 de setembro de 2026. Contudo, diante das investigações e das exigências legais da Ancine, a data pode sofrer alterações.

O Ministério da Cultura informou que o filme só poderá ser lançado comercialmente no Brasil após obter o Certificado de Registro de Título (CRT), documento obrigatório emitido pela Ancine.

Sem o certificado, exibidores não podem programar oficialmente a estreia da obra nos cinemas.


O Que Dizem os Envolvidos

Eduardo Bolsonaro afirmou nas redes sociais que não exerceu função de gestão no projeto e que apenas autorizou o uso de imagem da família.

Flávio Bolsonaro negou ter transferido recursos para o irmão e disse que sua participação limitou-se à tentativa de captar investimento privado para o filme.

A Ancine confirmou que não recebeu documentação oficial referente à produção de “Dark Horse”.


As revelações envolvendo o filme “Dark Horse” ampliam a pressão sobre aliados da família Bolsonaro e levantam questionamentos sobre a origem, a destinação e a gestão dos recursos milionários usados na produção. Documentos obtidos pelo Intercept Brasil contradizem declarações públicas de Eduardo Bolsonaro ao apontá-lo como peça estratégica na estrutura financeira do longa.

Além das suspeitas sobre captação de recursos, o caso também envolve possíveis irregularidades junto à Ancine, denúncias trabalhistas e relatos de precariedade nas gravações. Enquanto investigadores analisam a movimentação financeira ligada ao projeto, o futuro do filme segue cercado de incertezas jurídicas e políticas.

A expectativa agora gira em torno das respostas oficiais dos envolvidos, das apurações em andamento e da eventual liberação da obra para exibição comercial no Brasil.


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Quem é responsável pela produção do filme “Dark Horse”?

Segundo documentos revelados pelo Intercept Brasil, a produtora americana Go Up Entertainment é a responsável pelo longa-metragem sobre Jair Bolsonaro.


Qual seria o papel de Eduardo Bolsonaro no filme?

Contratos apontam Eduardo Bolsonaro como produtor-executivo da obra, com participação em decisões relacionadas ao orçamento, financiamento e captação de recursos.


Eduardo Bolsonaro negou envolvimento financeiro?

Sim. O deputado afirmou nas redes sociais que sua participação limitava-se à cessão de direitos de imagem da família Bolsonaro.


O que diz a Ancine sobre o filme?

A Ancine informou que não recebeu comunicação oficial da produção e que não há registros formais do projeto em seus sistemas.


Quais irregularidades são investigadas?

As apurações envolvem possíveis falhas no registro da produção, ausência de documentação obrigatória, denúncias trabalhistas e suspeitas sobre a movimentação de recursos financeiros.


Quem é Daniel Vorcaro?

Daniel Vorcaro é um banqueiro citado nas investigações por supostos repasses milionários destinados à produção do filme. Ele está preso desde março sob suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção.


O filme “Dark Horse” já tem data de estreia?

O ator Jim Caviezel anunciou inicialmente estreia para setembro de 2026, mas o lançamento pode ser alterado devido às exigências legais e investigações em andamento.


O filme pode ser lançado sem autorização da Ancine?

Não. Para estrear comercialmente no Brasil, o longa precisa obter o Certificado de Registro de Título (CRT), emitido pela Ancine.

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Ana Cristina - Redatora