Nova Resolução da ONU Incentiva Mapas que Mostrem as Áreas do Planeta de Forma Mais Proporcional; África Pode Parecer Menor do Que Realmente é, Enquanto Regiões Próximas aos Polos são Ampliadas
Você já olhou para um mapa-múndi e teve a impressão de que a Groenlândia é quase do tamanho da África? Ou que a Europa ocupa uma área muito maior do que realmente tem?
A explicação está na maneira como a humanidade escolheu representar uma Terra esférica em uma superfície plana.
Agora, uma resolução aprovada pela Assembleia Geral da ONU reacendeu essa discussão e incentiva governos, instituições e organizações internacionais a adotarem mapas capazes de representar melhor as proporções reais dos continentes.
A mudança não altera o tamanho de nenhum território. O que pode mudar é a imagem que temos deles.
Por Que o Mapa-Múndi Distorce os Continentes?
O problema começa com uma questão matemática: não é possível abrir a superfície curva da Terra sobre uma folha de papel ou uma tela sem provocar algum tipo de deformação.
Dependendo da projeção escolhida, o mapa pode distorcer:
- o tamanho das áreas;
- o formato dos continentes;
- as distâncias;
- os ângulos;
- ou a posição relativa de determinadas regiões.
Uma das projeções mais famosas é a Mercator, criada em 1569 pelo cartógrafo Gerardus Mercator.
Ela foi desenvolvida principalmente para facilitar a navegação marítima. Seu grande diferencial era permitir que determinadas direções fossem representadas de maneira útil para os navegadores.
O preço dessa vantagem, porém, aparece no tamanho dos territórios.
Quanto mais uma região se aproxima dos polos, maior tende a ser a distorção.
É Por Isso que a Groenlândia Parece Gigantesca
A diferença fica especialmente evidente quando alguns territórios são comparados.
Na projeção de Mercator, a Groenlândia pode parecer próxima do tamanho da África.
Na realidade, a diferença é enorme: a África possui uma área aproximadamente 14 vezes maior que a Groenlândia.
O mesmo efeito pode ser percebido em outras comparações.
Brasil x Alasca: em determinadas representações, os dois podem parecer mais próximos em tamanho do que realmente são, embora o Brasil tenha uma área várias vezes superior à do Alasca.
África x América do Norte: a África pode parecer menor no mapa, apesar de ter uma área aproximadamente três vezes maior que a América do Norte.
Então o Mapa de Mercator Está Errado?
Não exatamente.
Esse é um dos pontos mais importantes da discussão.
A projeção de Mercator não foi criada para mostrar perfeitamente o tamanho dos continentes. Seu objetivo principal estava relacionado à navegação.
Por isso, dizer simplesmente que ela é um mapa “errado” seria simplificar demais a questão.
Na cartografia, diferentes projeções são utilizadas para diferentes objetivos.
Um mapa pode ser excelente para navegação e, ao mesmo tempo, ser menos adequado para comparar áreas.
E a Projeção de Gall-Peters?
Uma das alternativas mais conhecidas é a projeção de Gall-Peters.
Ela prioriza a preservação das proporções de área. Com isso, continentes próximos ao Equador, como a África e a América do Sul, ganham uma representação visual mais próxima de suas dimensões reais.
Mas existe uma contrapartida.
Assim como a Mercator, a Gall-Peters também produz distorções — principalmente no formato dos continentes.
Ou seja: não existe um mapa plano perfeito da Terra.
Cada projeção faz escolhas sobre aquilo que deve ser preservado.
O Mapa que Entrou no Centro da Discussão da ONU
A proposta apoiada pela campanha “Corrija o mapa” defende o uso de representações que mostrem melhor as proporções das massas de terra.
Entre elas está a Equal Earth, ou “Terra Igual”.
Criada para representar as áreas dos continentes de maneira proporcional, a projeção procura oferecer uma alternativa visual à tradicional Mercator.
Na prática, o resultado é bastante diferente.
A África aparece muito maior em relação à Europa e à Groenlândia, enquanto regiões próximas aos polos deixam de apresentar a mesma ampliação característica da Mercator.
O Que Muda Depois da Decisão da ONU?
Aqui está um detalhe importante: a ONU não determinou que todos os mapas do mundo terão de mudar imediatamente.
A resolução funciona como um incentivo para que governos, organizações internacionais, escolas, instituições e outros usuários considerem projeções mais adequadas quando o objetivo for representar o tamanho relativo dos territórios.
Portanto, a Mercator não desaparece automaticamente.
Ela continuará podendo ser utilizada em situações nas quais suas características sejam úteis.
A principal mudança defendida pela resolução é outra: evitar que uma única representação do mundo seja tratada como se mostrasse perfeitamente as dimensões reais dos continentes.
A África Pode “Ficar Maior” no Novo Mapa?
Sim — mas somente no mapa.
A África não vai aumentar de tamanho e nenhum país vai ganhar território.
O que acontece é uma mudança na representação visual.
Quando uma projeção que preserva melhor as áreas é utilizada, o continente africano passa a ocupar no mapa uma proporção mais próxima daquela que possui na realidade.
O mesmo vale para a América do Sul e outras regiões próximas ao Equador.
Por Que Isso Importa Tanto?
Mapas não servem apenas para localizar países.
Eles também são utilizados em:
- escolas e livros didáticos;
- meios de comunicação;
- documentos oficiais;
- pesquisas;
- ferramentas digitais;
- materiais institucionais;
- apresentações e infográficos.
Por isso, a maneira como um mapa representa o planeta pode influenciar a percepção que as pessoas desenvolvem sobre tamanho, importância e localização das diferentes regiões do mundo.
É justamente esse aspecto que tornou a discussão sobre as projeções cartográficas muito maior do que uma simples questão estética.
Afinal, Qual é o “Mapa Certo”?
A resposta pode surpreender: não existe um único mapa perfeito.
A Terra é aproximadamente esférica, enquanto uma folha de papel ou uma tela é plana.
Ao transformar uma coisa na outra, alguma característica será necessariamente deformada.
Por isso, a pergunta mais adequada não é “qual mapa está certo?”, mas:
“Qual projeção é mais adequada para o objetivo que queremos alcançar?”
Para navegação, uma determinada projeção pode ser extremamente útil.
Para comparar o tamanho dos continentes, outra pode ser mais apropriada.
E é justamente essa discussão que a nova resolução da ONU pretende colocar em evidência.
O Mapa do Futuro Pode Ser Diferente do Que Aprendemos na Escola
A mudança mais significativa pode acontecer justamente na educação e na comunicação.
Se projeções como a Equal Earth forem utilizadas com maior frequência em mapas destinados à comparação de áreas, milhões de pessoas poderão passar a visualizar os continentes de uma maneira mais próxima de suas dimensões reais.
A imagem clássica do mapa-múndi, portanto, pode começar a mudar.
Mas uma coisa permanece exatamente igual:
a Terra não mudou. Quem pode mudar é a forma como nós a enxergamos.
Você Sabia que os Mapas Distorcem o Tamanho dos Continentes?
A próxima vez que encontrar um mapa-múndi, observe especialmente as regiões próximas aos polos.
A Groenlândia parece enorme? O Canadá ocupa uma área gigantesca? A Europa parece maior do que você imaginava?
Isso não significa que os territórios tenham aquelas dimensões.
Significa que todo mapa conta uma versão visual da Terra — e cada projeção faz escolhas diferentes para conseguir colocar um planeta redondo em uma superfície plana.
A aprovação da resolução pela ONU não significa que o mapa de Mercator deixará de existir, nem que os continentes tenham mudado de tamanho. A discussão é sobre como a Terra é representada visualmente e quais características cada projeção consegue preservar.
Ao incentivar mapas como o Equal Earth, a ONU coloca em evidência uma questão que durante muito tempo passou despercebida para grande parte do público: um mapa-múndi não é uma fotografia fiel do planeta. Ele é uma representação criada a partir de escolhas cartográficas.
Para quem olha para o mapa, a diferença pode parecer apenas visual. Mas, na educação, na comunicação e na forma como diferentes partes do mundo são percebidas, essas escolhas podem ter consequências importantes.
No fim das contas, a grande mudança pode estar menos no mapa e mais no olhar de quem o observa.
E você, já tinha percebido essas distorções no mapa-múndi? Compare uma representação em Mercator com uma projeção que preserve melhor as áreas e veja como a percepção sobre o tamanho dos continentes pode mudar.
Compartilhe esta matéria com alguém que também ficou surpreso ao descobrir que a África é muito maior do que parece em muitos mapas tradicionais.
A ONU vai mudar o mapa-múndi?
A ONU aprovou uma resolução que incentiva governos, organizações internacionais e outras instituições a considerar projeções cartográficas que representem melhor as proporções reais das áreas. Isso não significa que todos os mapas do mundo serão substituídos imediatamente.
Por que a ONU quer mudar o mapa-múndi?
A iniciativa busca reduzir a percepção distorcida sobre o tamanho dos continentes causada por determinadas projeções cartográficas. A proposta incentiva o uso de representações que mostrem de maneira mais proporcional as dimensões das massas de terra.
O mapa de Mercator está errado?
Não necessariamente. A projeção de Mercator foi criada para facilitar a navegação marítima e preserva determinadas características importantes para esse objetivo. O problema é que ela distorce progressivamente o tamanho das regiões próximas aos polos.
Por que a África parece menor no mapa-múndi?
Na projeção de Mercator, regiões próximas ao Equador aparecem proporcionalmente menores, enquanto áreas próximas aos polos são ampliadas. Por isso, a África pode parecer menor do que realmente é quando comparada a territórios de altas latitudes.
A África é maior que a Groenlândia?
Sim. A África é aproximadamente 14 vezes maior que a Groenlândia em área. A impressão de que os dois territórios têm tamanhos semelhantes ocorre principalmente pela distorção provocada por determinadas projeções cartográficas.
Por que a Groenlândia parece tão grande no mapa?
A Groenlândia está localizada em uma região de alta latitude, próxima ao Polo Norte. Na projeção de Mercator, áreas desse tipo sofrem uma ampliação visual significativa, fazendo com que a ilha pareça muito maior do que sua área real.
O Brasil é maior que o Alasca?
Sim. O Brasil tem uma área várias vezes maior que a do Alasca. Dependendo da projeção cartográfica utilizada, porém, os dois territórios podem parecer visualmente mais próximos em tamanho.
Qual é o novo mapa-múndi defendido pela ONU?
A campanha associada à resolução da ONU apoia o uso da projeção Equal Earth, conhecida em materiais da organização como “Terra Igual”. O modelo foi desenvolvido para representar as áreas dos continentes de maneira proporcional.
O que é a projeção Equal Earth?
A Equal Earth é uma projeção cartográfica de áreas equivalentes que busca preservar melhor as proporções entre as diferentes massas de terra. Com ela, a relação visual entre continentes como África, América do Sul, Europa e Groenlândia fica mais próxima de suas áreas reais.
Qual a diferença entre Mercator e Equal Earth?
A Mercator foi desenvolvida principalmente para facilitar a navegação e distorce o tamanho das áreas conforme aumenta a latitude. A Equal Earth prioriza uma representação proporcional das áreas, tornando-a mais adequada para comparar o tamanho dos continentes.
A projeção Gall-Peters é mais correta que a Mercator?
Depende do objetivo do mapa. A Gall-Peters preserva melhor as proporções de área, enquanto a Mercator foi desenvolvida para atender necessidades relacionadas à navegação. Nenhuma das duas representa perfeitamente todos os aspectos da superfície terrestre.
Qual é o mapa-múndi mais correto?
Não existe um mapa-múndi perfeito. Como a Terra é aproximadamente esférica e os mapas são planos, qualquer projeção precisa produzir algum tipo de distorção. A melhor escolha depende da finalidade do mapa.
Os continentes vão mudar de tamanho com o novo mapa da ONU?
Não. Os continentes não terão seus tamanhos alterados. Apenas a representação cartográfica poderá mudar, fazendo com que determinadas regiões apareçam mais próximas de suas proporções reais.
O mapa-múndi que aprendemos na escola mostra o tamanho real dos países?
Nem sempre. Isso depende da projeção utilizada. Mapas baseados na projeção de Mercator, por exemplo, podem ampliar visualmente países e regiões próximas aos polos e alterar a percepção sobre o tamanho relativo dos territórios.
Por que não existe um mapa perfeito da Terra?
Porque é matematicamente impossível representar uma superfície esférica em uma superfície plana sem algum tipo de deformação. Cada projeção cartográfica precisa escolher quais características serão preservadas e quais sofrerão distorções.




















