FAUNA

Parque Zoobotânico da Ufac tem superpopulação de pelo menos 3 espécies de aves


Um estudo iniciado em 2017 durante o mestrado de Diego Pedroza na Universidade Federal do Acre (Ufac) gerou um artigo sobre a superpopulação de aves no Parque Zoobotânico e também a diversidade de espécies em florestas com ou sem bambus.

Estudo aponta que pelo menos três espécies de aves têm superpopulação dentro do Parque Zoobotânico  — Foto: Diego Pedroza/Arquivo pessoal

As pesquisas duraram cerca de sete meses e ocorrem em três fragmentos florestais: Parque Zoobotânico, em Rio Branco; Fazenda Experimental Catuaba, em Senador Guiomard; e Reserva Florestal Humaitá, em Porto Acre.

O artigo, publicado na revista “Community Ecology” ainda em julho,também teve como co-autor o professor do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza, Edson Guilherme.

O primeiro ponto constatado no estudo foi que há pelo menos três espécies que ocupam o Parque Zoobotânico da Ufac e que não conseguem se dispersar. São elas:

  • O uirapuru-laranja (Pipra fasciicauda);
  • O garrinchão-pai-avô (Pheugopedius genibarbis);
  • O bico-chato-grande (Rhynchocyclus olivaceus).

Essa constatação pôde ser feita através de observações e também comparando a quantidade de espécies capturadas nos locais estudados. Pelos números, percebe-se que o bico-chato-grande, por exemplo, só foi visto dentro do parque.

Veja o número de capturas para cada fragmento florestal de cada espécie

AvesParque ZoobotânicoFazenda Experiemntal CatuabaReserva Florestal Humaitá
Uirapuru-laranja691127
Garrinchão-pai-avô3635
Bico-chato-grande3900

“O parque possui três espécies com populações muito grandes, isso significa que tem muitos indivíduos dessas espécies lá e achamos que essas espécies estão isoladas dentro do fragmento do Parque Zoobotânico e não conseguem sair de lá e ir para outros locais. Então, o Parque Zoobotânico acaba se tornando um local isolado para algumas aves, porque elas não conseguem sair de lá”, explica Pedroza.

Alguns fatores podem ter contribuído para isso, segundo o pesquisador, que atualmente faz doutorado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Um desses fatores é o fato de o PZ estar localizado no meio da cidade.

“A matriz do Parque Zoobotânico é urbana, ou seja, está dentro da cidade e os passarinhos não estão conseguindo sair de lá. Eles estão presos dentro do fragmento, então algo que sugerimos no artigo é a criação de corredores ecológicos para ligar os fragmentos”, explica.

Esses corredores seriam áreas arborizadas que ligariam fragmentos de florestas próximos, facilitando a locomoção dos pássaros e ampliando o território disponível para habitat, alimentação e procriação.

Criado em 1983, o Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre (Ufac) reúne em uma área de 144 hectares com espécies animais e vegetais, constituindo a maior área verde dentro do perímetro urbano de Rio Branco  — Foto: Asscom/Ufac

Criado em 1983, o Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre (Ufac) reúne em uma área de 144 hectares com espécies animais e vegetais, constituindo a maior área verde dentro do perímetro urbano de Rio Branco — Foto: Asscom/Ufac

“Isso por si só não resolve o problema, mas seria uma boa iniciativa para amenizar a superpopulação de passarinhos no PZ”, pontua.

Outra informação que consta na pesquisa é a de que, dentro das áreas estudadas, o Parque Zoobotânico foi o fragmento que apresentou composição de espécies bem diferentes dos outros.

“Quando você vai para o Parque Zoobotânico, os passarinhos que você encontra lá, são quase totalmente diferentes dos outros dois fragmentos. É uma composição de espécies diferentes.”

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André Diogo