ANDERSON SIQUEIRA

O que sobrou para Marcio Bittar?


O senador (licenciado) Márcio Bittar, do União Brasil, sofreu sua primeira derrota nas eleições de 2022. Mesmo sem concorrer a nenhum cargo, Bittar colocou como missão pessoal eleger sua ex-esposa Márcia a todo custo, mas não esperava que o caminho fosse tão complicado.

Quem tornou por complica-lo ainda mais foi a própria Márcia, antes pouco conhecida, mas que logo protagonizou manchetes de jornais por falas desnecessárias – às vezes ofensivas. Seja pela falta de experiência política, por instrução ruim ou pensamentos ultrapassados, o que ficou para a população foi a imagem de uma personagem cômica das eleições, pouco levada a sério e que sofreu rejeição até de quem se identifica com a mesma ideologia – que tem como pilares o conservadorismo, cristianismo e família.

Expectativas

A primeira ideia era emplacar Márcia no Senado. Com isso, Bittar teria voto peso dois nas sessões, uma vez que Márcia é muito alinhada com ele e usa os mesmos discursos que o ajudaram a ser eleito em 2018. Duas pedras estiveram nesse caminho: Alan Rick e Mailza Gomes. Alan é oriundo do DEM, partido que se fundiu com o PSL, onde estava Bittar e se criou o União Brasil. Sendo um partido só, como Márcio se dividiria para dar suporte a uma candidata de outra sigla? Além do mais, esperava o apoio de Gladson, que já estava “comprometido” com os outros dois.

Quase vice

Manobras e mais manobras fizeram a situação chegar ao que parecia ser o encaixe perfeito: Márcia seria retirada da disputa pelo Senado, o União Brasil apoiaria Alan Rick e Gladson ficaria agraciado com o apoio de vários outros partidos comandados por Bittar. O empecilho dessa vez foi o mais decisivo de todos: o eleitor. Desde que Márcia foi ventilada, protestos invadiram as redes sociais, inclusive de aliados do governador, ninguém aceitava o nome de Márcia. A exemplo da própria mãe de Gladson, que declarou publicamente que ela “tiraria seus votos”.

Decisivo

Gladson surpreendeu alguns e correspondeu ao palpite de outros ao anunciar que Márcia não seria mais sua vice. Com a decisão, o governador foi sábio e oportuno, duas características essenciais na política. Marcio Bittar havia declarado há menos de 10 dias que não acreditava que Gladson voltaria atrás.

E agora?

Com Petecão já fechado com João Tota Filho e Vanda Milani, o caminho mais fácil para que Bittar não retire as peças de Márcia do tabuleiro é o MDB de Mara Rocha. Além de ser o partido por onde foi eleito, poderá continuar alinhado ao bolsonarismo, uma vez que a própria Mara já declarou seu apoio à reeleição do presidente. A saída seria duas: ou convencia Mara a disputar o Senado, o que se torna ainda mais complicado, já que ainda hoje Jéssica Sales (a favorita de Flaviano), confirmou a disputa; o outro plano seria conseguir colocar Márcia como sua vice. Resta agora saber se após verem o que aconteceu com Gladson, aceitariam essa ideia…

E sem Márcia?

Há boatos de que Marcio Bittar teria decidido abandonar a ideia de eleger sua ex-esposa e concorrer ele mesmo ao Governo. A via para isso, seria também o MDB. Fontes dizem que a ideia de ter Márcio disputando o Palácio Rio Branco agrada Flaviano. Será que ainda teremos surpresas nessas convenções?

Já tentou antes

A primeira vitória de uma eleição majoritária de Marcio Bittar ocorreu em 2018 ao Senado, quando embarcou no bolsonarismo. Antes, no entanto, já havia tentado outras três vezes ser eleito, mas não teve sucesso. Em 2004 foi candidato a prefeito de Rio Branco, sendo derrotado por Angelim, do PT; em 2006, tentou o governo e foi derrotado por Binho Marques, também do PT; em 2014, perdeu mais uma vez para o PT ao ser derrotado por Tião Viana, mas por uma diferença de pouco mais de 10 mil votos no segundo turno.

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