Se posicionar ou não se posicionar? Eis a questão. Muitos dirão que com essa “polarização” fica complicado escolher um lado, porque invariavelmente você acaba sendo atacado pelo outro.
Mas será que vivemos uma polarização mesmo?
Sinceramente, não me preocupo com ataques, com julgamentos, com teorias da conspiração. A advocacia me ensinou a não adotar a posição mais confortável, mais simpática, mais popular. Defendo aquilo que acredito, e ponto.
Dito isto, não há como ficar em cima do muro em relação às eleições que se avizinham.
A morte de Marcelo Aloizio de Arruda, esposo, pai de família, pertencente à primeira turma da Guarda Municipal de Foz do Iguaçu, pura e simplesmente pelo fato de ser petista, assassinado por alguém que invadiu sua festa gritando “aqui é Bolsonaro”, “mito”, é algo que precisa nos fazer refletir, nos indignar, nos revoltar.
O Presidente Bolsonaro levou o dia inteiro para se manifestar, no Twitter, e reproduziu mensagem de 2018, dizendo que quem pratica violência contra opositores que “mude de lado e apoie a esquerda”.
Nenhuma palavra de solidariedade à família, nenhuma palavra de conforto, de humanidade, nenhum repúdio veemente à violência cometida por seu apoiador, e, pior que isso: como costumeiramente faz, ataca a esquerda.
Claro que não dava para esperar muita coisa de um Presidente que relativizou o potencial da pandemia do coronavírus, que recusou vacinas, que ataca diariamente a imprensa e as instituições democráticas, que compra o apoio do Congresso com milhões em emendas parlamentares, que decreta sigilo em tudo que é informação, inclusive nos gastos com cartão corporativo, enfim.
Mas realmente a sua manifestação sobre a morte de Marcelo Aloizio ainda consegue nos chocar pela falta de empatia.
Não bastava ser o pior Presidente da história da República, ele ainda tinha que ganhar o título de mais desumano.
Como o Presidente tem a desfaçatez de falar para mudarem de lado e apoiar a esquerda? Não foi ele que em 2018, no Acre, fez discurso dizendo que ia “fuzilar a petralhada?”. Ah, mas foi força de expressão né? Isso não influencia em nada. Por acaso não foi a campanha de Lula que nos últimos dias sofreu ataques no Rio de Janeiro e Minas Gerais com bombas caseiras e drones com fezes?
E antes que algum papagaio de político fale sobre o caso do Adélio Bispo, uma coisa não tem nada a ver com a outra, uma coisa não justifica a outra, e uma coisa não minimiza a outra, como o acéfalo da República quer fazer crer.
O lado da barbárie, da violência, das mortes, não é o da esquerda no Brasil. É o seu, Bolsonaro! É você que exalta torturadores condenados, é você que debocha de mortes.
Você, como a maior autoridade da Nação, devia pedir paz, condenar de forma dura e firme esse crime brutal e injustificável, mas não, você aproveita para destilar ainda mais o seu ódio.
Por isso, volto ao título do texto: não há polarização quando o outro lado é a barbárie. Bolsonaro disse que essas eleições serão a luta do “bem contra o mal”. Concordo! Ele representa o mal, representa tudo que há de pior como ser humano, como gestor, como líder político.
E que aproveite bem os passeios de jet ski e as motociatas, pois irá lembrar desses dias quando estiver no fundo do lixo da história. Falta pouco.
Que venham os ataques.




















