Na semana em que se comemora o dia dos povos indígenas, lideranças do Acre participaram de um ciclo de debates, nessa quinta-feira (20), em São Paulo, na exposição do fotógrafo Sebastião Salgado, um dos mais respeitados do mundo, onde eles destacaram os anos de resistência que segue até hoje e também pontuaram sobre os riscos da construção da estrada entre Acre e Peru.
O ciclo de palestras faz parte da exposição do fotógrafo sobre a Amazônia que está em cartaz no centro cultural e o destaque são lideranças do Acre que participaram do ciclo e deixaram sua mensagem.
A participação no debate também ocorre em um momento em que os povos protestam no estado acreano e manifestam contra projetos de lei que liberam exploração das terras dos povos originários e também enviaram uma carta pedindo pela demarcação de terras e denunciando ameaças por parte de invasores.
Uma das grandes preocupações nos debates, pontuada pelo presidente da Associação Ashaninka do Rio Amônia (Apiwtxa), Wewito Piyãko, é a construção da estrada que dá acesso ao Peru.
“Estamos na divisa com o Peru e a estrada que estão construindo já saiu no nosso rio e está chegando um caminho que vai trazer muitas coisas ruins para nós, varando a nossa floresta, tirando a nossa riqueza, a nossa madeira, poluindo o nosso rio, nossa água que a gente bebe todos os dias, onde nossas crianças tomam banho. E nossa luta é para cuidar disso para que a gente tenha sempre esse espaço para a vivência cultural do nosso povo. Tudo isso, a gente vem trabalhando”, pontuou.
Wewito Piyãko relatou ainda sobre a pressão vivida na região que faz fronteira com o Peru, além de também fazer divisa com pecuaristas e a luta pela defesa territorial, manutenção da cultura e da própria língua.
“Muitos pensam que a gente é passado, mas quero dizer que estamos aqui presentes e vamos continuar ainda por muito tempo. Vivemos conflitos com madeireiros, não diferente dos nossos parente Yanomami, que é o garimpo, e são coisas estão nos afetando diretamente há muitos anos e continuamos até hoje nessa luta. Precisamos do entendimento de cuidar desse território”, acrescentou.
*g1




















