Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho Deixou a Prisão e Deverá Usar Tornozeleira Eletrônica; Ministro do STF Também Impôs Restrições ao Investigado
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a soltura de Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), investigado no caso que apura descontos irregulares em aposentadorias e pensões. A decisão foi assinada na noite de terça-feira (8).
A prisão preventiva foi substituída por medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica. O ex-procurador também está proibido de manter contato com outros investigados e de acessar as dependências do INSS e da Dataprev, empresa pública responsável pela administração de sistemas e bases de dados utilizados pela Previdência.
Virgílio foi preso em novembro do ano passado durante a Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal (PF). A investigação apura um esquema envolvendo descontos de contribuições associativas diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas, sem a devida autorização dos beneficiários.
PF Indiciou Ex-Procurador por Suspeita de Receber R$ 11,9 Milhões
No início de agosto, a Polícia Federal indiciou Virgílio Antônio de Oliveira Filho sob suspeita de participação no esquema. Segundo a investigação, ele teria recebido aproximadamente R$ 11,9 milhões provenientes de descontos considerados irregulares em aposentadorias.
De acordo com as informações apresentadas pela PF, os valores teriam chegado ao ex-procurador por meio de sua esposa e de empresas relacionadas à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
O indiciamento integra o conjunto de elementos reunidos pela Polícia Federal durante a investigação. A condição de indiciado, contudo, não representa condenação, e as suspeitas ainda precisam ser analisadas no curso do processo.
Mendonça Considera que Prisão Não é Mais Necessária
Ao determinar a soltura, André Mendonça considerou o encerramento da fase investigativa conduzida pela Polícia Federal.
Na avaliação do ministro, com a conclusão das diligências da PF, não haveria mais justificativa para manter Virgílio preso preventivamente. As novas medidas cautelares, segundo Mendonça, seriam suficientes para evitar eventual interferência nas investigações ou a prática de novos delitos.
Além da tornozeleira eletrônica, o ex-procurador deverá cumprir as restrições determinadas pelo STF, incluindo a proibição de contato com outros investigados e o impedimento de acesso ao INSS e à Dataprev.
Contador da Conafer Também Teve Prisão Substituída
A decisão de Mendonça alcançou ainda Samuel Bomfim Júnior, contador da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).
Assim como Virgílio, ele teve a prisão substituída pelo uso de tornozeleira eletrônica. A decisão também foi fundamentada na avaliação de que, com o avanço da investigação, as medidas cautelares seriam suficientes para garantir o andamento do processo.
Ex-Ministro da Previdência Deixa de Usar Tornozeleira
Mendonça também determinou mudanças nas medidas cautelares impostas a outros investigados na Operação Sem Desconto.
No caso de José Carlos Oliveira, ex-ministro da Previdência Social, e de Pedro Corrêa Neto, ex-secretário de Inovação do Ministério da Agricultura, o ministro revogou a obrigação de uso de tornozeleira eletrônica.
Os dois ocuparam cargos durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo relatório da Polícia Federal, José Carlos Oliveira, que também é identificado como Ahmed Mohamad Oliveira, teria sido destinatário de R$ 100 mil em propina paga pela Conafer. Conforme a investigação, os recursos teriam origem em valores desviados de aposentadorias do INSS.
A suspeita é de que o pagamento teria ocorrido em troca de facilidades para atender aos interesses da entidade.
Operação Sem Desconto Investiga Descontos em Benefícios
A Operação Sem Desconto investiga um esquema de descontos de contribuições associativas aplicados sobre aposentadorias e pensões do INSS. A apuração da Polícia Federal aponta para a existência de entidades que, segundo as investigações, funcionariam como estruturas de fachada.
O caso ganhou repercussão por envolver valores descontados diretamente dos benefícios de aposentados e pensionistas, grupo que reúne milhões de brasileiros e que depende dos pagamentos previdenciários para sua subsistência.
As investigações buscam esclarecer a participação de pessoas, empresas e entidades no esquema, além de identificar o destino dos recursos supostamente desviados.
Investigação Ainda pode Gerar Novos Desdobramentos
Com o encerramento da etapa investigativa da Polícia Federal, o caso segue para as próximas fases no âmbito judicial. Os investigados poderão apresentar suas defesas e contestar as acusações e elementos reunidos durante a apuração.
A decisão de André Mendonça não representa uma absolvição dos envolvidos. A soltura e a substituição da prisão por medidas cautelares dizem respeito às condições impostas aos investigados enquanto o processo continua.
O caso permanece sob análise da Justiça, e eventuais responsabilidades criminais deverão ser definidas após o devido processo legal.
E você, o que acha da decisão de substituir as prisões por medidas cautelares no caso dos investigados na Operação Sem Desconto?
Quem é Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho?
Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho é ex-procurador-geral do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ele foi preso no âmbito da Operação Sem Desconto e posteriormente indiciado pela Polícia Federal sob suspeita de participação no esquema investigado.
Por que o ex-procurador do INSS foi preso?
Virgílio foi preso durante a Operação Sem Desconto, que investiga descontos irregulares de contribuições associativas em aposentadorias e pensões do INSS e a possível participação de pessoas e entidades no desvio desses recursos.
Por que André Mendonça determinou a soltura?
O ministro do STF considerou que, com o encerramento da fase investigativa da Polícia Federal, não haveria mais necessidade de manter o ex-procurador preso. Mendonça entendeu que medidas cautelares seriam suficientes para garantir o andamento das investigações.
Virgílio continuará sendo investigado após ser solto?
Sim. A soltura não significa absolvição nem encerramento do caso. O ex-procurador continua submetido às medidas determinadas pelo STF e poderá responder às acusações no decorrer do processo.
Quais medidas foram impostas ao ex-procurador do INSS?
Virgílio deverá usar tornozeleira eletrônica, não poderá manter contato com outros investigados e está proibido de acessar as dependências do INSS e da Dataprev.
Quanto a PF afirma que Virgílio teria recebido?
Segundo a investigação da Polícia Federal, Virgílio teria recebido aproximadamente R$ 11,9 milhões oriundos de descontos considerados irregulares em aposentadorias. Os valores teriam sido recebidos por meio de sua esposa e de empresas ligadas à Contag.
O que é a Operação Sem Desconto?
A Operação Sem Desconto é uma investigação que apura possíveis fraudes envolvendo descontos de contribuições associativas diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
Quem mais teve medidas cautelares alteradas por André Mendonça?
Samuel Bomfim Júnior, contador da Conafer, também teve a prisão substituída pelo uso de tornozeleira eletrônica. Já José Carlos Oliveira, ex-ministro da Previdência Social, e Pedro Corrêa Neto, ex-secretário de Inovação do Ministério da Agricultura, deixaram de ser obrigados a usar tornozeleira.
A soltura significa que os investigados foram inocentados?
Não. A substituição ou revogação de uma medida cautelar não equivale a uma decisão de inocência. As responsabilidades dos investigados ainda deverão ser analisadas pela Justiça, respeitando o direito de defesa e o devido processo legal.




















