Procuradoria Regional Eleitoral Sustenta que Ex-Governador está Inelegível após Condenação Colegiada do STJ; Decisão Sobre o Registro Ainda Cabe à Justiça Eleitoral
O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu à Justiça Eleitoral o indeferimento do registro de candidatura de Gladson Cameli (PP) ao Senado pelo Acre nas eleições de 2026. A manifestação foi apresentada nesta quinta-feira (13), um dia após a publicação do edital referente ao pedido de registro.
A Procuradoria Regional Eleitoral no Acre argumenta que o ex-governador está inelegível em razão de uma condenação criminal proferida pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo o órgão, a decisão colegiada se enquadra nas hipóteses de inelegibilidade previstas na Lei Complementar nº 64/1990, conhecida como Lei da Ficha Limpa.
O pedido do MPE, porém, não significa que a candidatura esteja definitivamente barrada. A impugnação será analisada pela Justiça Eleitoral, e a defesa de Cameli terá oportunidade de se manifestar no processo.
MPE Apresentou Ação Contra Registro da Candidatura
A Procuradoria Regional Eleitoral apresentou uma Ação de Impugnação de Registro de Candidatura (AIRC) contra Gladson Cameli.
O edital referente ao pedido de registro foi publicado em 12 de agosto. A partir da publicação, começou a contar o prazo legal para que o Ministério Público Eleitoral e outros legitimados apresentassem eventuais impugnações.
Na manifestação, o procurador Vitor Hugo Caldeira Teodoro afirma que a condenação do ex-governador foi determinada por um órgão judicial colegiado e envolve crimes como peculato-desvio, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
De acordo com a Procuradoria, a decisão do STJ reconheceu a existência de uma organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas e atuação voltada à prática de irregularidades em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro.
Três Fundamentos são Apresentados para Pedir a Inelegibilidade
O MPE sustenta que existem três fundamentos independentes para impedir a candidatura de Cameli.
São eles:
- Crimes contra a administração pública, incluindo peculato-desvio e corrupção passiva;
- Lavagem de dinheiro;
- Organização criminosa.
Segundo a Procuradoria, cada um desses fundamentos, individualmente, seria suficiente para caracterizar a inelegibilidade prevista na Lei da Ficha Limpa.
O órgão também afirma que a existência de recursos contra a condenação não afastaria automaticamente os efeitos eleitorais da decisão colegiada.
“A pendência de recurso contra a condenação colegiada não impede, por si só, a incidência da inelegibilidade”, afirma a Procuradoria na ação.
Justiça Eleitoral Ainda Vai Analisar o Caso
Apesar do pedido apresentado pelo MPE, a situação eleitoral de Gladson Cameli ainda depende de uma decisão da Justiça Eleitoral.
O processo seguirá com a análise da impugnação e a apresentação da defesa. Ao final, caberá à Justiça Eleitoral decidir se o candidato preenche os requisitos legais para disputar o Senado.
A Procuradoria afirma que, enquanto a condenação colegiada do STJ permanecer vigente e não houver decisão capaz de suspender seus efeitos eleitorais, Cameli não reuniria as condições necessárias para disputar as eleições de 2026.
Cameli Afirma que Continua Buscando Seus Direitos
Após a manifestação do Ministério Público Eleitoral, Gladson Cameli se pronunciou pelas redes sociais.
O ex-governador afirmou que continua pré-candidato ao Senado e que pretende buscar os meios legais para garantir o direito de disputar a eleição.
“Sobre o registro da minha candidatura não tem novidades, continuo pré-candidato e por isso estou buscando meus direitos para concorrer a uma das vagas para o Senado”, declarou.
A posição da defesa deverá ser apresentada formalmente no processo de impugnação.
Gladson Cameli Renunciou ao Governo para Disputar o Senado
Cameli deixou o cargo de governador do Acre em 2 de abril de 2026, após renunciar ao mandato para disputar uma vaga no Senado.
Com a saída, a então vice-governadora Mailza Assis (PP) assumiu o comando do governo estadual.
A candidatura de Cameli ao Senado foi oficializada pelo Progressistas durante a convenção partidária realizada no início de agosto. Na mesma ocasião, Mailza foi confirmada como candidata da legenda ao governo do Acre.
O pedido de registro da candidatura de Cameli foi formalizado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 12 de agosto.
STJ Manteve Condenação de Mais de 25 Anos
A discussão sobre a elegibilidade ocorre após o STJ manter a condenação criminal de Gladson Cameli.
No início de agosto, a Corte Especial negou, por unanimidade, recurso apresentado pelo ex-governador e manteve a pena de 25 anos e nove meses de prisão, em regime inicial fechado.
A condenação envolve crimes como:
- organização criminosa;
- corrupção ativa e passiva;
- peculato;
- lavagem de dinheiro;
- fraude em licitação.
A decisão foi tomada pela Corte Especial do STJ, seguindo o entendimento da relatora, ministra Nancy Andrighi.
Durante o julgamento, houve divergência entre os ministros em relação à pena. O revisor, Luiz Otávio de Noronha, propôs uma punição diferente da estabelecida pela relatora.
Caso Envolve Investigação sobre Contratos Públicos
As acusações contra Cameli tiveram origem em investigações que apontaram suposto esquema de corrupção envolvendo contratos públicos no Acre.
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), o ex-governador teria integrado uma organização criminosa responsável por fraudar licitações e desviar recursos públicos por meio de contratos considerados irregulares.
A defesa de Cameli contesta as acusações e já afirmou que pretende recorrer às instâncias superiores.
O caso também foi afetado por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas às provas produzidas durante a investigação. Parte dos elementos foi anulada após questionamentos apresentados pela defesa sobre a legalidade de medidas adotadas sem autorização do STJ.
Mesmo diante dessas decisões, a Corte Especial do STJ concluiu que havia elementos suficientes para sustentar a condenação.
O Que Acontece Agora com a Candidatura?
A impugnação apresentada pelo MPE não encerra o processo eleitoral. O caso ainda será analisado pela Justiça Eleitoral.
Os próximos passos envolvem, em linhas gerais:
- apresentação da defesa de Gladson Cameli;
- análise dos argumentos apresentados pelas partes;
- julgamento da impugnação;
- decisão sobre o registro da candidatura;
- possibilidade de recursos às instâncias eleitorais competentes.
Assim, a candidatura ao Senado permanece sob análise judicial.
Decisão Sobre Candidatura Ainda Depende da Justiça Eleitoral
O pedido de impugnação apresentado pelo Ministério Público Eleitoral coloca a situação jurídica de Gladson Cameli no centro da disputa eleitoral no Acre, mas a definição sobre sua candidatura ainda não foi tomada.
Enquanto o processo tramita, a defesa poderá contestar os argumentos apresentados pela Procuradoria e buscar decisões judiciais que permitam a manutenção do registro.
A palavra final sobre o pedido de registro, portanto, caberá à Justiça Eleitoral, dentro do processo previsto para as eleições de 2026.
O pedido do Ministério Público Eleitoral abre uma nova etapa na disputa de Gladson Cameli por uma vaga no Senado pelo Acre. Embora a Procuradoria defenda o indeferimento do registro com base na condenação colegiada do STJ e na Lei da Ficha Limpa, a decisão sobre a candidatura ainda depende da Justiça Eleitoral.
O processo deverá ser acompanhado de perto nas próximas etapas, especialmente diante da possibilidade de apresentação de defesa e de recursos pelas partes envolvidas. Até uma decisão definitiva, a situação eleitoral de Cameli permanece em análise.
Você acredita que Gladson Cameli poderá manter a candidatura ao Senado pelo Acre? Deixe sua opinião nos comentários e acompanhe as próximas decisões da Justiça Eleitoral sobre o caso.
Quem é o candidato?
Gladson Cameli, do Progressistas (PP), ex-governador do Acre.
Qual cargo pretende disputar?
Uma das vagas do Acre no Senado Federal nas eleições de 2026.
O que o MPE pediu?
O indeferimento do registro da candidatura.
Por que o MPE fez o pedido?
A Procuradoria sustenta que Cameli está inelegível devido à condenação criminal colegiada do STJ e às hipóteses previstas na Lei da Ficha Limpa.
A candidatura já foi definitivamente barrada?
Não. O pedido do MPE ainda será analisado pela Justiça Eleitoral, e a defesa poderá apresentar seus argumentos e recorrer das decisões cabíveis.




















