O PT no Acre não vive seus melhores dias. Ainda que o partido tenha conquistado a vitória para a presidência da República, a nível estadual a sigla não conquistou nenhum dos cargos que disputou nas eleições de 2022, mesmo usando sua “força total”, que incluiu os nomes de Jorge Viana e Marcus Alexandre para a disputa ao Governo.
Um mês após as eleições, o partido vive agora um novo problema, a infidelidade partidária daqueles que foram eleitos em 2020. Naquele ano, a sigla não elegeu vereadores em Rio Branco e na disputa pela capital ocupou a 5ª colocação, mas conseguiu um feito: elegeu 4 dos 22 prefeitos no estado. Acontece que desses, três enfrentam processos internos por infidelidade partidária, sendo que a prefeita de Brasileia, Fernanda Hassem, já foi expulsa da sigla na última segunda-feira (12).
Fernanda recebeu a punição do partido por ter apoiado Gladson Cameli (Progressistas) na disputa pelo Governo, mesmo seu partido tendo candidato próprio em chamada “chapa pura”. A prefeita faz parte de uma família de políticos que se dividiram durante o processo eleitoral, sua sogra — a deputada federal Vanda Milani (PROS) — foi candidata a senadora na chapa de outro candidato ao Governo, Sergio Petecão (PSD). Para completar, seu marido, Israel Milani, foi candidato a deputado pelo Republicanos, partido que integrou o grupo de uma outra candidata ao Palácio Rio Branco, Mara Rocha (MDB).
A expulsão do PT — onde esteve filiada por 27 anos — não retira o mandato de Fernanda Hassem, que foi reeleita com 59,46% dos votos válidos em 2020. Ela tem 10 dias para recorrer da decisão da sigla, mas segundo informações dadas pelo jornal Gazeta do Acre, a prefeita optou por respeitar a decisão dos ex-correligionários: “todo partido tem suas regras”, disse.
Na entrevista, a prefeita afirmou ter ciência de que a decisão não partiu da executiva municipal do partido, mas sim da estadual, segundo ela: “motivada por uma decisão de Jorge Viana”. Ao ex-senador, ela deixou a mensagem:
“Que ele busque cada vez mais agir conforme aquilo que ele fala em público. Que a fala dele em público seja semelhante ao caminhar, às suas atitudes. Sei que a decisão é do PT de Rio Branco, porque não foi do PT local [de Brasileia], foi do PT estadual, foi motivada por uma decisão do Jorge [Viana]. Então, eu respeito, vou sempre respeitar. Mas, que o PT volte às suas origens e se lembre de como é que era antes, quando a população estava acima de tudo, e não um determinado grupo de pessoas, que é o que eu vejo acontecendo hoje”, afirmou.
Fernanda Hassem ainda não revelou para qual sigla deve se filiar após a saída do PT. Além dela, as permanências dos prefeitos Isaac Lima, de Mâncio Lima; e Jerry Correia, de Assis Brasil, também serão discutidas pelo partido.




















