Diretor do Into rebate críticas de Petecão sobre a “sala da morte”


Após o senador Sérgio Petecão (PSD) perder dois de seus assessores, Raimundo Nonato da Silva Lima, o Doca, e Carlos Alberto Nascimento, o Beto, que lutavam contra a Covid-19, ele resolveu fazer um desabafo com críticas ao Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Acre, onde funciona o Hospital de Campanha de Rio Branco.

“Nunca pensei que pudesse passar por tanta humilhação. Corri, pedi, pedi, me humilhei para conseguir uma UTI, uma UTI, o Beto, a família depois de muita luta, é muita humilhação conseguiram uma UTI no Pronto Socorro, acho, só acho que o Beto morreu sofrendo menos. O Doquinha de Manaus como a gente chamava não teve a mesma sorte, morreu sofrendo muito, pedindo para sair dali, uma tal de sala vermelha, depois me disseram que a tal sala da morte”, disse no Facebook.

Em seguida, ele diz que tentou de todas as formas ajudar seus amigos assessores e lamenta suas perdas:

O argumento é que não podia mexer no paciente, fiquei sabendo que a situação é tão grave, gravíssima que Pacientes com parada cardíaca o pessoal da limpeza está ajudando a reanimar. Tentei falar com todas as autoridades, do governador a os assessores mais importantes, Quero aqui agradecer de coração aqueles que tiverem a consideração de pelo menos atender o telefone. Eu sei que isso está quase normal aqui no nosso estado, isso não pode ser normal. Está morrendo muita gente. Hoje estou sofrendo muito, perdi dois irmãos, o Beto e o Doca. Espero que ninguém passe pelo que estou passando neste momento. Deus tenha misericórdia do Acre, só o senhor pode nos ajudar”, encerrou.

Sobre o assunto, o médico Osvaldo Leal, gestor da unidade, também afirmou que a sala vermelha onde o assessor Doca foi internado “dispõe de todos os equipamentos e assistência ofertados em um leito de UTI, destinada a manter a vida do paciente enquanto é providenciada a transferência”, rebatendo o que disse o senador, que chamou o espaço de “sala da morte”.

Confira a nota na íntegra: 

O paciente R. N. S. L., de 58 anos, foi admitido no Pronto Atendimento do Into, em Rio Branco, no dia 21 de fevereiro, às 11h48, após ter sido encaminhado do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), com saturação de O2 de 86% e 40% de comprometimento pulmonar.

Com sintomas de Covid-19 há oito dias, o paciente estava em tratamento domiciliar, sem melhora.

Naquele mesmo domingo, 21 de fevereiro, foi internado no Hospital de Campanha do Into, iniciando tratamento com O2 15l/mim em máscara-reservatório, ventilação não invasiva (VNI) e tratamento medicamentoso de suporte.

Evoluiu com piora do quadro, sendo indicado no dia 2 de março procedimento de intubação orotraqueal (IOT), em sala vermelha, com suporte de ventilação e monitoramento, sendo-lhe solicitada vaga de UTI.

Na quarta-feira, dos 26 leitos existente de UTI no Into, 24 (92,3%) estavam ocupados. Dos 90 leitos clínicos existentes, 72 (80%) estavam ocupados, conforme dados do boletim de Acompanhamento da Ocupação de Leitos em decorrência da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

Importante destacar que a chamada sala vermelha dispõe de todos os equipamentos e assistência ofertados em um leito de UTI, destinada a manter a vida do paciente enquanto é providenciada a transferência.”

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