Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados
Texto Aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça Altera a Constituição Federal e Prevê Responsabilização Penal a partir dos 16 Anos; Proposta Ainda Passará por Comissão Especial, Plenário da Câmara e Senado
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (10) a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. A proposta recebeu 44 votos favoráveis e 18 contrários e agora avança para as próximas fases de tramitação no Congresso Nacional.
O tema, que gera debates há décadas no Brasil, voltou ao centro das discussões políticas após a retomada da análise do texto na Câmara.
O Que Prevê a PEC da Maioridade Penal?
A proposta altera o artigo 228 da Constituição Federal para estabelecer que a maioridade penal seja atingida aos 16 anos.
Atualmente, a Constituição determina que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às regras previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Caso a PEC seja aprovada em todas as etapas legislativas, adolescentes entre 16 e 18 anos poderão responder criminalmente como adultos.
Principais mudanças previstas:
- Redução da maioridade penal de 18 para 16 anos;
- Alteração do artigo 228 da Constituição;
- Responsabilização penal plena a partir dos 16 anos.
Relator Retirou Outros Pontos da Proposta
O texto original, apresentado pelo então deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE), incluía também mudanças relacionadas aos direitos políticos.
Entre as propostas retiradas pelo relator Coronel Assis (PL-MT) estavam:
- Voto obrigatório para maiores de 16 anos;
- Redução da idade mínima para candidatura a cargos eletivos;
- Possibilidade de candidatura a vereador aos 16 anos;
- Redução da idade mínima para presidente da República e senador.
Segundo o relator, esses temas não possuíam relação direta com a discussão sobre imputabilidade penal.
Argumentos Favoráveis à Redução da Maioridade Penal
Parlamentares favoráveis à PEC defendem que adolescentes envolvidos em crimes graves devem responder de forma mais rigorosa perante a Justiça.
O deputado Lucas Redecker (PSDB-RS) afirmou durante o debate que muitos jovens são utilizados por organizações criminosas justamente por saberem que não estão sujeitos às mesmas punições aplicadas aos adultos.
Os defensores da proposta argumentam que a mudança poderia contribuir para aumentar a responsabilização de adolescentes envolvidos em crimes violentos.
Argumentos Contrários à Proposta
Deputados da base governista e da oposição de esquerda afirmam que a PEC fere garantias constitucionais e não resolverá os problemas relacionados à segurança pública.
A deputada Erika Kokay (PT-DF) argumentou que a medida seria inconstitucional por atingir direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição.
Já a deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) afirmou que a proposta representa uma solução inadequada para o combate à criminalidade e não enfrenta as causas estruturais da violência.
Quais são os Próximos Passos da PEC?
Com a aprovação na CCJ, a proposta ainda precisa cumprir outras etapas antes de eventualmente entrar em vigor.
Tramitação prevista:
- Criação de uma comissão especial pela Presidência da Câmara;
- Discussão e votação do mérito da proposta na comissão;
- Votação em dois turnos no plenário da Câmara;
- Aprovação mínima de 308 deputados em cada turno;
- Análise e votação pelo Senado Federal.
Somente após aprovação nas duas Casas do Congresso a alteração poderá ser promulgada.
Debate sobre Maioridade Penal Volta à Pauta Nacional
A discussão sobre a redução da maioridade penal acompanha o debate político brasileiro desde a promulgação da Constituição de 1988.
Recentemente, o tema chegou a ser cogitado durante a tramitação da PEC da Segurança Pública, mas acabou sendo retirado para ser discutido separadamente.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu que a matéria fosse analisada em um texto específico, evitando que a proposta mais ampla de segurança pública enfrentasse maiores dificuldades no Senado.
A aprovação da PEC na CCJ representa um novo capítulo em um dos debates mais antigos e controversos do Congresso Nacional. Enquanto apoiadores defendem a medida como instrumento de responsabilização criminal, críticos apontam possíveis impactos constitucionais e sociais da mudança.
Agora, a proposta seguirá para análise em comissão especial e, posteriormente, para votação no plenário da Câmara dos Deputados.
O debate sobre a redução da maioridade penal divide opiniões em todo o país. E você, acredita que a medida pode contribuir para a segurança pública ou considera que existem alternativas mais eficazes? Deixe sua opinião nos comentários e participe da discussão.
Você é favorável ou contrário à redução da maioridade penal para 16 anos? Compartilhe este conteúdo e participe do debate sobre uma das propostas mais polêmicas em discussão no Congresso Nacional.
A maioridade penal já foi reduzida para 16 anos?
Não. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara apenas aprovou a admissibilidade da proposta. O texto ainda precisa passar por outras etapas antes de entrar em vigor.
O que muda com a PEC aprovada na CCJ?
A proposta prevê que jovens a partir dos 16 anos possam ser considerados penalmente imputáveis, ou seja, responsabilizados criminalmente como adultos.
A PEC já está valendo?
Não. A proposta ainda será analisada por uma comissão especial, votada em dois turnos na Câmara dos Deputados e, posteriormente, no Senado Federal.
Quantos votos a PEC recebeu na CCJ?
O texto foi aprovado por 44 votos favoráveis e 18 contrários.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) deixará de existir?
Não. O ECA continuará em vigor. A discussão envolve apenas a idade em que uma pessoa passa a responder criminalmente como adulto.
A redução da maioridade penal é permitida pela Constituição?
Esse é justamente um dos principais pontos de debate. Defensores da PEC afirmam que a mudança é constitucional, enquanto opositores argumentam que a proposta atinge direitos fundamentais protegidos pela Constituição.
O Senado também precisa aprovar a proposta?
Sim. Após a tramitação na Câmara, a PEC ainda precisará ser aprovada pelo Senado para que possa ser promulgada.




















