São tempos difíceis. Uma frase repetida por todas as gerações desde que o mundo é mundo, mas que parece ter ganhado intensidade nos últimos tempos. O acreano tem vivido em seu limite, da inflação nas prateleiras dos supermercados ao perigo de se respirar o ar, que tem sido rota de germes mortais como o coronavírus e a Influenza. O fato da dificuldade, também contribui diretamente para o aumento da criminalidade.
Com tanta desesperança, não resta muito ao acreano a não ser implorar a ajuda de Deus.
É sabendo disso que muitos pré-candidatos têm se empenhado com rigor para lançar frases de efeito de modo a ganhar simpatia do eleitorado cristão. Do lado conservador, nada além se pode esperar, é o discurso que elegeu Jair Bolsonaro em 2018 e era previsível que alguns de seus apoiadores o repetissem. Mas recentemente, a bola da vez foi o ex-prefeito Marcus Alexandre, do PT.
Em entrevista dada ao Papo Informal, podcast do jornalista Luciano Tavares, que foi ao ar no último dia 9, Marcus foi perguntado qual era seu livro de cabeceira. Seguindo o que a extrema direita já tem na ponta da língua, Marcus poderia responder que era a bíblia, mas quis inovar e disse “Salmos 27”.
Pegou mal
Tudo bem! Quem somos nós para questionar alguém que se baseia em sua cabeceira em apenas 14 versículos. Problema nisso, é não saber citar um único deles. Luciano o pediu para citar um versículo de sua preferência e a coisa “enrolou”. Marcus respondeu gaguejando “Deus é… Minha fortaleza”, parecia ter gastado um esforço surreal para lembrar de algo que pudesse sair do branco e falhou. O versículo não existe nem em Salmos 27, nem em livro algum além de declarações de alguns personagens, sempre em contextos sólidos.
Não era muito
O pior é que não precisa ir longe, bastava ter citado o 23: O senhor é meu pastor e nada me faltará; tem escrito em quase todo cardápio que se lê por aí.
Petismo conservador
Não é a primeira vez que o discurso de Marcus Alexandre ‘namora’ com o conservadorismo, enquanto se veste como um homem de esquerda e progressista. Quem não lembra de suas declarações a favor do estatuto da família em 2018? A pressão em cima dele foi tão grande que o assunto foi estendido até renunciar para disputar o Governo naquela eleição, se isentando da polêmica. Na época, Marcus Alexandre foi chamado de covarde em uma nota de repúdio divulgada por um dos maiores ativistas LGBTQIA+ do estado, Germano Marino.
Cristão de Taubaté
Longe de mim ditar moralidade a qualquer pré-candidato. Mas de tal modo que esta coluna dedicou parágrafos de crítica ao oportunismo de Marcia Bittar enquanto pré-candidata ao Senado usando o cristianismo forçado como pilar; da forma em que fiz duras críticas ao ex-deputado João Correia por declarações infelizes a cerca do chá ayahuasca; não hei de “passar pano” agora. Na opinião deste colunista, Marcus Alexandre se mostra apenas mais um dessa “laia”, que apresenta tão pouca propriedade do assunto, mas repleto de pequenos indícios que chegam a caminhar por vezes na mesma linha da homofobia e do machismo.
Disponibilizo aqui, o vídeo com a entrevista completa no Podcast.
*Os créditos pela imagem de capa é do jornal Notícias da Hora




















