A maioria das pessoas responderiam essa pergunta, assim: “meus dados pessoais valem muito”. Mas, francamente quando foi a última vez que você leu completamente os termos e condições antes de se inscrever em um serviço ou fazer o download de um aplicativo?

Para provocar essa reflexão, em 2017, a Kaspersky Lab realizou uma experiência montando uma loja que oferecia camisetas, canecas e estampas feitas por um artista de rua londrino, onde o pagamento eram os dados pessoais das pessoas, como fotos ou conversas do Whatsapp.
Confere no vídeo.
Um risco, não?! Mas parando pra pensar, fazemos isso por muito menos e com uma frequência maior do que pensamos.
O simples fato de seguirmos nossa rotina diária pode gerar centenas de dados. Desde sobre os locais por onde passamos, por quanto tempo passamos e até o que compramos, comemos ou bebemos. Baixamos vários aplicativos, informando dados sem sequer saber o que fazem com eles.
Essencialmente, estamos distribuindo livremente todos os tipos de dados para diversas empresas, que analisam, empacotam, vendem e lucram com isso. Não apenas todos os dias, mas a cada hora.
Será que é tarde demais para tentar mudar a maneira como esse modelo funciona?
Quem pode mudar isso?
O empresário americano Andrew Yang, quer que as pessoas sejam pagas pelos dados que criam em grandes plataformas de tecnologia como Facebook e Google. Ele acredita que pode fazer isso com seu novo projeto chamado de “Data Dividend Project – My Data, My Money” ou DDP (Projeto de Dividendo de Dados – Meus Dados, Meu Dinheiro)
O projeto descrito como “um movimento dedicado a retomar o controle de nossos dados pessoais”, tem o objetivo fazer com que os norte-americanos possam reivindicar seus dados e sejam pagos por eles se optarem por compartilhá-los.
Isso talvez seja possível na Califórnia graças a novíssima lei de privacidade do consumidor da Califórnia que entrou em vigor esse ano.
Será que vai dar certo? Sejamos francos! A busca pelos lucros do uso dos dados dos usuários provavelmente será uma batalha difícil. Afinal, existe uma certa distância entre ter o direito de saber como seus dados estão sendo coletados e receber dinheiro no bolso das empresas que os coletam.
Não existe almoço grátis!
Todos são beneficiados da maneira como as grandes empresas usam os nossos dados. Usamos aplicativos e serviços “gratuitamente” e os provedores obtêm nossas informações em troca. Eles, então, as usam para (entre outras coisas, é claro) melhorar o produto.
Por exemplo, os aplicativos de GPS, são gratuitos e economizam tempo e estresse. Aceitamos o fato de que eles podem rastrear ou registrar nossos movimentos como parte do acordo e a maioria de nós prefere desistir desses dados do que pagar pelo aplicativo.

Da mesma forma, o Facebook é uma maneira fácil e gratuita de manter contato com seus amigos. Nós, que o usamos, concordamos tacitamente em permitir que a plataforma colete diversos tipos de informações em troca.
Informações que valem bilhões
A intermediação de dados é uma indústria de US $ 200 bilhões. Afinal, a partir das informações dos usuários, o sistema pode informar suas futuras ações e oferecer o que ele potencialmente pode querer, desenhar melhores produtos e ajustar campanhas políticas. Não é novidade que a inteligência artificial pode levar o aprendizado dos sistemas a outro patamar.

Esse grande volume de dados criou o mercado do Big Data, no qual empresas fazem a mineração de informações de diversas fontes que podem ser úteis para definir uma estratégia. Porém, os especialistas alertam que os dados dos cidadãos não podem ser registrados e usados para além daquilo que foi autorizado inicialmente.
Como é regulamentada a privacidade de dados no Brasil?
Por aqui, temos a morosa Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Passados mais de oito anos de discussão, foi sancionada em agosto de 2018. Estava prevista para entrar em vigor no início de 2020, porém adiaram para agosto e, novamente, para 03 de maio de 2021.

Resumindo: Ela regulamenta a forma como as empresas, independentemente do tamanho e segmento, deverão efetuar o tratamento de dados de pessoas físicas, tanto no meio digital quanto no convencional.
Com tantas prioridades nesse país, não acho difícil acontecer mais um adiamento. Mas, vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos.
O assunto virou documentário e livro
Por falar em cenas, a Netflix ano passado detalhou o lado sombrio da coleta de dados, centrada no escândalo da Cambridge Analytica em 2016.
O filme descreve como existem “perfis psicométricos” para você, eu e todos os nossos amigos.
Os dados coletados com o uso de serviços digitais podem ser compactados de maneira a fornecer às empresas uma visão de nossos hábitos, preferências e até mesmo de nossas personalidades.
Com essas informações, eles podem fazer inúmeras coisas, que vão desde nos mostrar um anúncio de um par de sapatos, até nos fazer tentar mudar de ideia sobre qual candidato votar em uma eleição.
Como conta o livro “Sem lugar para se esconder“, onde o autor fala sobre do papel que a mídia desempenha no jornalismo atual, alinhando-se aos interesses dos governos em detrimento dos cidadãos. Fala também sobre espionando em larga escala, não só as comunicações domésticas, mas também as de outros países, inclusive os aliados.
Com isso, te pergunto: Se nossos dados são tão valiosos, considerado por muitos como “o novo petróleo” será que não devemos prestar mais atenção à sua regulação e ao impacto desta tecnologia no futuro da sociedade?




















