TRETA DO TRANSPORTE

Bocalom rebate Eduardo Paes e diz que ônibus do Rio de Janeiro continuarão circulando na capital acreana


A prefeitura de Rio Branco se pronunciou nesta sexta-feira (11) sobre a polêmica envolvendo 20 ônibus que estão circulando na capital acreana e que deveriam, segundo o prefeito do Rio de Janeiro (RJ), Eduardo Paes (PSD), estar na capital fluminense.

Paes chegou a exigir que os ônibus retornem ao RJ. Segundo a gestão de Rio Branco, os veículos chegaram de forma legal, cumprindo todos os critérios da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans) e, portanto, devem continuar operando no município.

Os veículos vieram parar em Rio Branco após Bocalom decretar situação de emergência e anunciar a contratação de forma emergencial, sem licitação, da empresa Ricco Transportes para assumir 31 linhas da capital com 70 ônibus. Parte dos carros tem placa de Mauá, no interior de São Paulo, e cerca de 20 veículos tem placa do Rio de Janeiro.

Acontece que embora pertençam a uma empresa privada, Eduardo Paes afirma que os veículos não poderiam deixar o Rio de Janeiro sem o aval da prefeitura, que analisaria se poderia prejudicar o transporte público na cidade, o que acabou acontecendo. Os veículos inclusive têm adesivos do Disque-Denúncia do Rio (2253-1177), do programa Ônibus Ok, do Rio Ônibus, e até o brasão da prefeitura do Rio.

Os 20 ônibus pertencem a duas empresas diferentes. Uma delas, a Viação Nossa Senhora das Graças, do Consórcio Intersul, é responsável por três linhas no Rio. A outra é a Viação Verdun, do Consórcio Internort, responsável por quatro linhas.

As duas viações, no entanto, estão em nome de David Ferreira Barata, filho de Jacob Barata e irmão de Jacob Barata Filho. Conhecido como Rei do ônibus, Jacob Barata Filho chegou a ser preso em 2017 pela Polícia Federal (PF) por suspeita de envolvimento em um esquema de corrupção no setor de transportes. Recentemente o processo foi enviado à Justiça do Rio de Janeiro por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF).

“O que nós fazemos é exigir a apresentação [dos ônibus]. Eles podem até vender os ônibus para outras cidades, mas eles precisam dar baixa no sistema da prefeitura e essa baixa não aconteceu”, disse Eduardo Paes.

O prefeito afirmou ainda que não tinham como saber da vinda dos veículos sem a repercussão da imprensa, uma vez que o GPS de cada um dos ônibus foi desligado:

“Eles desligam o GPS. Por isso tantas multas aplicadas a partir do momento que notamos que a quantidade de ônibus necessária para determinada linha não está funcionando”, afirmou o prefeito.

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André Diogo