Brasília, 8 de janeiro de 2023, milhares de pessoas antes vistas como manifestantes invadiram a Praça dos Três Poderes, depredaram prédios e causaram pânico na população, que acompanhava tudo de longe algo que jamais havia sido visto no país.
Houve inquestionável falha na segurança, o que resultou na exoneração do secretário Distrital Anderson Torres e no afastamento do governador Ibaneis Rocha. Os discursos de pátria, família e liberdade foram totalmente dispensados para a bárbarie. Não se via a imagem de Deus, apenas ódio e baderna; não se via preocupação com família, crianças foram colocadas em risco de vida; não havia patriotismo, bens públicos foram depredados causando prejuízo grande aos cofres; por fim, não houve valores.
Se o plano era tomar o poder e ganhar apoio popular, ele falhou miseravelmente. Os atos foram reprovados até por quem eles admiravam e esperavam ser apoiados, tiveram a reprovação até mesmo de Jair Bolsonaro, um dos mais prejudicados pelos impactos. A grande verdade, é que invadir as sedes dos Três Poderes foi um grande tiro no pé, mas de canhão. Cito algumas opiniões que sustentam essa tese:
Endurecimento das regras contra fake news
Polêmica e taxada por muitos como abuso de autoridade, a repressão contra a disseminação de informações falsas nas redes sociais fez com que jornalistas e políticos ligados à extrema-direita tivessem perfis bloqueados e passaportes cancelados. O impasse é fortalecido pelo fato de nossa Constituição ter sido feita em 1988 — época em que a internet era um sonho distante — e não estava preparada para lidar de forma clara com a guerra digital, que já saia de controle. Se antes as decisões rígidas enfrentavam acusações de censura, agora elas terão motivação: impedir que outras invasões aconteçam.
Reforço no apoio da comunidade internacional
Pouco tempo após a invasão, o mundo já havia escolhido seu lado. Vários líderes mundiais fizeram questão de se manifestar e dar apoio a Lula. Estamos falando não só de Joe Biden, mas também dos presidentes da França, Canadá, México, Argentina, Chile, Espanha, Colômbia, Equador e até a ONU. Isso reforça a tese de que um golpe de Estado seria insustentável no Brasil e colocaria o país em uma situação muito difícil. Duro golpe para os golpistas.
Um caminho para o Congresso
Se antes a relação de Lula com o Congresso era vista como complicada, a invasão em Brasília atuou como um grande facilitator e elo entre os dois poderes, pois embora haja diferenças ideológicas entre eles, agora há algo concreto e em comum para as relações: a pacificação do país, com provas testemunhadas por toda a população durante a cobertura do dia inteiro.
Fortalecimento da tese antibolsonarista
Embora não esteja diretamente ligado à invasão dos Três Poderes, o mundo encontrou um principal culpado: os incentivos do ex-presidente Jair Bolsonaro nos últimos 4 anos. A questão é que não é difícil agora conseguir associar os vandalismos ao ex-chefe — que já teve pedido de extradição feito aos EUA — pelo contrário, Lula e o PT têm agora os dispositivos necessários para avançar na tese de que Bolsonaro é o verdadeiro ‘inimigo’ do país e da democracia. Alguém duvida que esses dispositivos serão usados?
Manifestantes que viraram golpistas, agora são terroristas
A mídia e as autoridades usaram sem hesitação a palavra “terrorista” para definir cada um dos que invadiram as sedes dos poderes em Brasília, foram mais de 300 presos. Infelizmente, é preciso chamá-los do que são, tudo há de ter um limite.
Fim da narrativa de que não são violentos
Não é novidade que o país está dividido em dois grupos, mas entre eles existe uma grande parcela da população que não se define em nenhum lado, eles definiram seus votos por detalhes e suas opiniões foram grandemente afetadas ao verem “patriotas” vestidos de verde e amarelo destruindo patrimônio público e derrubando policiais de cavalos. Alguns lembraram da invasão de black blocks em 2013, uma tentativa de amenizar os impactos, mas em vão já que só quem acredita nisso é o próprio grupo bolsonarista. O fato é que as manifestações de 2013 foram lamentáveis, mas eles jamais entraram nas sedes dos poderes, não pediram golpe de Estado e foram orquestrados por apenas um grupo em específico.
Medidas mais radicais contra movimentos golpistas
Após o que vimos no domingo, o ministro Alexandre de Moraes terá amplas justificativas para novas quebra de sigilos, bloqueio de bens, entre outras medidas que atacam o bolsonarismo.
Imagem de Bolsonaro será associada as da invasão
Eu já disse lá em cima que Bolsonaro pode não ter tido participação direta nos vandalismos, mas o Congresso não está vendo assim. Deputados e senadores passarão a ter dificuldades em se manifestar a favor de Jair Bolsonaro ou desses movimentos, por medo de serem associados ao extremismo. Se isso se concretizar, irá enfraquecer o próprio movimento bolsonarista no Congresso.




















