O ex-presidente Lula (PT) compareceu na noite desta quinta-feira (25) aos estúdios Globo para uma entrevista aos jornalistas William Bonner e Renata Vasconcelos no Jornal Nacional.
Lula teve uma entrevista semelhante aos moldes aplicados a de Jair Bolsonaro (PL) e diferente da abordada com Ciro Gomes (PDT). O motivo é simples: Lula e Bolsonaro já exerceram mandato de presidente e precisaram usar o tempo para explicar os escândalos de suas gestões, enquanto Ciro – que tem “ficha limpa” nesse quesito – teve mais liberdade para falar sobre seus projetos.
No geral, a entrevista pode ser considerada satisfatória para sua campanha, apesar de ter tentado desviar o foco das primeiras perguntas. Percebendo que não tem mais como negar os extensos casos de corrupção durante seu governo, Lula mudou a estratégia: no JN optou por reconhecê-las, porém, mostrando como seu governo lidou com os escândalos e como o de Bolsonaro vem lidando com os dele. “Se eu quisesse esconder corrupção teria decretado sigilos de 100 anos como está na moda”, disse.

Além disso, mostrou que Bolsonaro não tem controle sobre o próprio orçamento da União e prometeu romper as relações de poder com o Centrão. O ex-presidente também teve oportunidade de promover seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), mostrando que durante décadas, a disputa entre PT e PSDB era eleitoral, mas que hoje vemos uma grande ameaça ao processo democrático. “Na época se eu encontrasse FHC, José Serra ou o próprio Alckmin em um restaurante, eu não tinha problema algum em tomar uma cerveja com eles”.
Sobre os excessos causados pela militância petista, Lula resolveu usar o futebol como metáfora e disse que a militância é como torcida organizada, muitas vezes não há como ter controle. Também foi questionado sobre o Governo Dilma, a que apontou alguns erros, criticando o próprio partido no objetivo de mostrar certa humildade e falar com aqueles que tem um pé atrás contra o PT.
O ex-presidente também fez o que era impensável até mesmo para os mais acirrados opositores: teceu pesadas críticas às ditaduras comunistas como a da China e da Coreia do Norte. Lula se esquivou da pergunta sobre ter apoiado esses regimes afirmando que governava o Brasil e que precisava manter relações pelo país, citando que assim como tinha conversas com essas nações, também tinha com Estados Unidos e União Europeia. “Cada um no seu quadrado”, chegou a afirmar.
A grande diferença entre Lula e Bolsonaro no JN, foi que Lula resolveu falar para quem ainda não decidiu votar nele, para potenciais eleitores. Quem afirma que não vota em Lula e Bolsonaro, provavelmente gostou do que viu. Enquanto isso, Bolsonaro seguiu falando apenas para seus eleitores, o que apesar de ter mantido a calma durante a entrevista, repetiu os mesmos discursos que vem usando sempre, discursos esses que não foram capazes de chegar além da sua própria bolha.




















