Saiu hoje, dia 24, a primeira pesquisa eleitoral após o fim do prazo das convenções partidárias e a definição de quem de fato é candidato em 2022. A pesquisa foi feita pelo Instituto Badra Comunicação, de São Paulo, entre os dias 17 e 19 agosto de 2022 e ouviu 1.060 pessoas.
Porcentagens
Em resumo está Gladson (36,5%), Jorge (19,2%), Mara (7,8%), Petecão (7,6%), Bittar (5%), Nilson (0,5%) e Hall (0,3%).

Direita x Esquerda
No topo da pesquisa vemos que Jorge Viana (PT) conseguiu com sua cartada de dobradinha com Marcus Alexandre estar na preferência de ida ao segundo turno, onde tentará aproveitar as quebras de alianças de Gladson Cameli (Progressistas) com outros grupos para ganhar algum apoio. O problema nisso é que além de Jorge, os únicos candidatos ditos de esquerda são David Hall (Agir) e Nilson Euclides (PSOL), que juntos não somaram 1%. Ao que tudo indica, o petista teria que dialogar com aqueles que sempre criticou.
Uma prova de que isso é totalmente possível é a recente publicação¹ do ex-governador com elogios ao vice de Lula, Geraldo Alckmin (PSB), dizendo que ele é um “pacificador de conflitos”. Ironicamente, em 2017, quando Jorge era Senador, usou o plenário para chamar o governo de Alckmin em São Paulo de abusivo² por ter autorizado uma operação da Polícia Civil na casa do filho de Lula. Se vale pra lá, também deve valer pra cá.
O que talvez Jorge Viana não esperava da primeira pesquisa, era que a diferença para Gladson fosse tão expressiva, de 17,3%. Ainda assim, é válido ressaltar que na última pesquisa do Instituto Badra, em junho, Gladson estava com 44,7%, não sendo difícil imaginar que o petista conseguiu morder um pouco dessa “fatia”.
Foguete sem combustível
A chegada turbulenta de Marcio Bittar (União Brasil) na disputa ao Governo não passou dos 5%. Claro, ainda está no início da campanha, mas podemos lembrar de que o próprio Jorge Viana anunciou candidatura ao Governo um dia após Marcio e teve um resultado bem maior. A entrada do nome de Bittar nem mesmo mexeu de forma relevante no cenário. No blog, já levantamos a questão de que a candidatura dele é na verdade uma espécie de “fachada”, provavelmente a estratégia é tirar votos de Gladson e levar Mara Rocha (MDB) ao segundo turno. Se a expectativa era essa, a realidade foi cruel… Se as eleições fossem hoje, somando as porcentagens de Bittar e Mara, obteriam no máximo o terceiro lugar.
Efeito Bocalom
E quem diria que a população de Rio Branco levaria para o “coração” o “presente de grego” dado por Sérgio Petecão (PSD) à cidade? Bom, na verdade, nós levantamos essa possibilidade aqui no blog, lá em março. Tido como um dos mais populistas entre os candidatos, Petecão alcançou uma porcentagem de 7,6%, ficando atrás de Mara Rocha.
O presente de grego, claro, foi ter ajudado o “Velho Boca” – como ele chama – a se eleger após as urnas terem gritado tantas vezes que não lhe dariam uma chance. Bom, a chance veio, mas foi desperdiçada. O “mensageiro” agora vê as consequências nas pesquisas, na última do Instituto Badra aparecia com 10%, o que indica que também cedeu algumas “fatias” com a chegada dos novos concorrentes.
Do caos ao Senado
A definição mais caótica sem dúvidas foi ao Senado com um “lança, não-lança”, confusões e discórdias. As principais desistências foram a de Carlos Beyruth (PSDB), que anunciou poucos dias após a convenção; Jorge Viana, que retirou na última hora para disputar o Governo; e Jéssica Sales (MDB), por motivos de saúde.
A disputa também sofreu indefinições de Marcia Bittar (PL) e Alan Rick (União Brasil), coincidentemente os dois retiraram as candidaturas ao Senado para serem vice de Gladson Cameli e foram impedidos de seguir em frente: Marcia pela reação do povo e Alan pela reação de Marcio Bittar.
A pesquisa foi Alan (15,8%), Jenilson (9,7%), Ney (8,4%), Marcia (6,4%), Drª Vanda (5,4%), Nazaré (3,2%), Sanderson (1,7%), Beyruth (0,6%) e Dimas (0,3%).
Quem surpreendeu foi Jenilson Leite (PSB), que deixou o PT comendo poeira ao anunciar que sairia para o Senado. Mas, convenhamos: quem gosta de ficar esperando a boa vontade dos outros? O médico socialista apareceu em segundo lugar, em empate técnico com Ney Amorim, o único a ter se candidatado para esse cargo em 2018.
Jenilson inclusive desbancou a candidata do PT, Nazaré Araújo, que apareceu apenas com 3,2%. O grande problema por trás do nome de Nazaré está que muitos que não a conhecem tem como primeira referência o fato de que ela foi vice do governador Tião Viana, que não teve seu governo visto com bons olhos.
Alan Rick aparecer na liderança não foi novidade, o deputado foi eleito com 22 mil votos em 2018 e tem muita força entre os evangélicos. Em sua vantagem, no Senado é praticamente o único representante do grupo concorrendo… Bom, tem a Márcia Bittar (PL), mas todos concordamos que ela deu uma “exagerada na dose” e suas falas assustaram até mesmo alguns cristãos. A verdade, é que a linha entre a seriedade religiosa e o fundamentalismo cômico é muito tênue.
Por fim, temos Vanda Milani (PROS) que assim como Petecão não decolou, o advogado Sanderson Moura (PSOL) mostrando que tem certo apoio de pequenos grupos e o Dimas Sandas que… Bom, 0,3% de 1.060 eleitores são exatamente 3 pessoas, tão raras que eu poderia até entrevistá-las.




















