OPINIÃO

Anderson Siqueira — O prefeito do sangue azul


Após enfrentar uma votação de impeachment; chamar a tropa de choque para conter com violência uma manifestação de garis; tornar o natal de Rio Branco em algo estressante; e chamar os servidores públicos de ‘touros preguiçosos’, Bocalom segue tentando abrir os caminhos para sua gestão com a cabeça-dura.

É em vão pensar que um prefeito com toda a estrutura de gestão de uma capital não tenha sido assessorado sobre assuntos polêmicos, até mesmo irregulares, como as apontadas nas faixas de pedestres azuis, que vão contra o que diz o Código de Trânsito Brasileiro.

DEU SORTE

Uma coisa é certa, Bocalom é ‘sortudo’. A polêmica de sua teimosia e obsessão pelo azul nas faixas de pedestres aconteceu no mesmo dia em que uma denúncia de assédio moral contra ele e o diretor-presidente da Emurb, Assis Benvindo, veio à tona. Ninguém falou mais sobre o assunto, apenas da Azulândia. A assessoria do prefeito diz que a denúncia é caluniosa… Bom, se é verdadeira ou não, não cabe a este colunista decidir, apenas dar os fatos.

SANGUE AZUL

Para alguém tão cabeça-dura como Bocalom, está claro que o azul se tornou uma espécie de “obsessão pessoal”  simplesmente porque um dia lhe disseram que não podia usá-la. Por mim, se a tinta saísse de seu bolso, poderia pintar até as ruas de azul – desde que estivessem sem buracos.

AZULÂNDIA

Uma coisa é de se crer: além de ser uma cor “anti-vermelha”, há – muito provavelmente – tentativa de gerar uma identidade por trás de todo esse azul. Já se vê que o prefeito pretende aproveitar o verão amazônico de um ano eleitoral para dar andamento em obras e mais obras (o que é de praxe em quase toda gestão). Mas desgastado com o público,  ele precisa de algo para lembrar a população do que está fazendo. Com polêmica ou não, é fácil hoje dizer que onde tem azul, deve ter dedo de Bocalom.

DESENCONTRO

A comunicação da prefeitura publicou um artigo dizendo “Novidade em Rio Branco, faixas de pedestres coloridas são tendência no Brasil e no mundo”. Ao mesmo tempo, a informação foi “desmentida” por uma das assessoras de comunicação do prefeito, Melissa Jares, que compartilhou em grupos de WhatsApp uma imagem com faixas de pedestres vermelhas da época de outro governo em Rio Branco com a legenda: “a faixa já foi vermelha”. Pelo visto, de novidade em Rio Branco não tinha nada.

CHAPA PURA

Cresce os indícios de que Mailza Gomes será a candidata à vice de Gladson Cameli. A assessoria dela confirmou que ainda não houve convite oficial, mas de todo modo, há indicativo de que o governador terá uma ‘chapa pura’ para disputar a reeleição – assim são chamadas as chapas onde candidato e vice são do mesmo partido. Além de Mailza, outros nomes especulados são os dos ex-secretários Rômulo Grandidier, Alysson Bestene e Socorro Neri.

OUTROS RUMOS

Por falar em Socorro Neri, o mais certo é de que ela seja candidata a deputada federal. Se confirmado, ela repetirá os passos de sua mãe, a professora Adelaide Neri, que foi deputada federal pelo Acre durante os anos de 1991 e 1995, tendo inclusive votado a favor do impeachment do presidente Collor.

EMPERROU?

Os discursos de proteção dos valores cristãos e da família aparentemente voltaram a conquistar apenas o eleitorado evangélico. E vamos ser francos: Marcia Bittar tem tentado de tudo, mas nada parece convencer o público que deu a maior votação proporcional ao presidente Bolsonaro. Ninguém tem depositado fé em sua pré-candidatura e as fichas cada vez mais vão para outros. Revoltado, até indícios de que pode ‘largar tudo’ e se candidatar ele mesmo ao Governo, Marcio Bittar já deu. O clima é de tensão na política acreana.

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André Diogo