OPINIÃO

Anderson Siqueira — sem popularidade, Márcia Bittar aposta fichas no discurso do “terrivelmente cristão”


Sou capaz de apostar que o senador Marcio Bittar, do União Brasil, acreditou que seria mais fácil colocar sua ex-esposa, Márcia, no páreo da disputa pela única cadeira no senado nas eleições de outubro.

A estrutura é boa, juntos eles têm parte do União Brasil, partido fruto da fusão de duas grandes siglas, o DEM e o PSL; além disso há o Republicanos, presidido pelo filho do ex-casal, João Paulo; e o PL, partido do presidente Jair Bolsonaro. No eleitorado, o considerado estado “mais bolsonarista” do país.

Mesmo com muito a favor, Márcia não decola. Não está na boca do povo e dificilmente você encontra alguém na rua que afirma ter decidido por essa opção nas urnas. Há menos de 6 meses das eleições, a estratégia final se torna cada vez mais evidente.

TERRIVELMENTE CRISTÃO

O termo fundamentalista tem ar ameaçador e de imposição religiosa. Foi adotado pela primeira vez pela ex-ministra Damares Alves ao assumir os Direitos Humanos, que declarou: “o Estado é laico, mas esta ministra é terrivelmente cristã”. Posteriormente, a expressão foi repetida por Bolsonaro na posse de André Mendonça no STF, quando disse “o meu compromisso de levar ao Supremo um ‘terrivelmente evangélico’ foi concretizado no dia de hoje”. De fato, esses argumentos são terrivelmente ruins.

MENOS…

Prova disso são as declarações para lá de exageradas para cativar o eleitorado evangélico. Entre as mais recentes, Márcia declarou ao pastor Alex Carvalho que faz o exercício de imaginar que Jesus Cristo está em seu ventre. Parece muito o tipo de discurso que o Cabo Daciolo fazia em 2018 e virou meme.

“SEGURA TEUS B.O.”

O Espírito Santo, por sua vez, não parece estar muito contente em ser constantemente colocado nesse caos eleitoral. Em uma outra pérola, Márcia diz que rezou muito para que o Espírito Santo falasse em seu lugar. Na mesma entrevista em que declarou isso, protagonizou a confusão mental que a fez mencionar a guerra entre “Croácia e União Soviética”.

PROFESSORA

Não acredito que uma professora formada de história cometeria tamanha gafe acidentalmente. Márcia é bolsonarista e se você analisar os discursos dessa ideologia, vai perceber que ele sempre precisa de um inimigo para apontar o dedo, caso contrário, não há chances de diálogo. Acredito que falar da União Soviética (dissolvida em 1991) seria um gancho para resgatar a memória do comunismo na Rússia, já que este é o principal “bicho-papão” usado para conseguir votos. Mas Márcia foi terrivelmente com sede ao pote e atropelou a Ucrânia, citando um país que está consideravelmente longe dessa guerra.

MAMADEIRA DE PIPOCA

A tática é mimar com um mão e assustar com a outra. A mesma Márcia foi quem causou polêmica ao afirmar que as escolas ensinam com naturalidade sobre incesto e zoofilia. Tática parecida foi usada por Marcos Feliciano, que disse insinuou que cristão que não votasse em Bolsonaro não poderia reclamar depois quando o pastor fosse preso por homofobia. Acontece que homofobia é crime, mas tal qual os fundamentalistas islâmicos, no Brasil a bancada cristã quer criar suas próprias regras, inspiradas apenas em convicções religiosas…

PASTOR ARMADO

Outra evidência disso é o pastor Milton Ribeiro, ex-ministro da Educação de Bolsonaro, pivô de mais um sigilo de 100 anos de algo que não há “nada a esconder”, deixou o cargo por suspeitas de corrupção no favorecimento de pastores que cobraram propina até em ouro e por fim, o pastor não tem confiança alguma em proteção divina e acabou disparando sua arma dentro de um aeroporto.

Terrivelmente cristão ou cristão terrível? Fica o questionamento…

 

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André Diogo