CPI DA PANDEMIA

CPI da Covid ouve hoje coronel Helcio Bruno, presidente de ONG investigada por fake news


BRASÍLIA – O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), abriu a sessão desta terça-feira, 10, marcada para ouvir o presidente da ONG Instituto Força Brasil, tenente-coronel da reserva Helcio Bruno de Almeida, com duras críticas ao presidente Jair Bolsonaro, que acompanhou um desfile de tanques e veículos militares blindados em Brasília. Aziz classificou o ato como “lamentável” e acusou o chefe do Planalto de tentar intimidar parlamentares e fazer uma ameaça à democracia.

“Todo homem público, além de cumprir suas funções constitucionais, deveria ter medo do ridículo, mas Bolsonaro não liga para nenhum desses limites, como fica claro nessa cena patética de hoje que mostra apenas uma ameaça de um fraco que sabe que perdeu”, disse Aziz ao ler um pronunciamento na abertura da reunião da CPI.

A fala de Aziz foi acompanhada pelos demais membros da CPI, que também criticaram o ato patrocinado pelo governo e a cúpula militar. “O que vimos hoje foi uma cena ridícula, um lamentável espetáculo circense”, disse o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). “O que importa são os esquemas de corrupção que essa comissão está descobrindo.” Mais cedo, partidos de oposição definiram o desfile como “tentativa de constranger” o Congresso.

A polêmica atrasou o depoimento do militar, que teve início por volta das 11h30. Bruno é apontado como elo entre representantes da empresa Davati Medical Supply e o Ministério da Saúde nas negociações de compra de vacinas. A entidade a qual ele representa já foi alvo da CPMI das Fake News.

Por decisão da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), o militar chega ao depoimento protegido por um habeas corpus, por isso, poderá ficar em silêncio e não produzir provas contra si mesmo.

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André Diogo