O clima esquentou nesta quarta-feira (17) durante a sessão remota na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), ao criticar o posicionamento do líder do governo, Pedro Longo (PV), o deputado Roberto Duarte (MDB) acabou “jogando na cara” que ele ajudou a eleger Gladson Cameli enquanto o Pedro Longo defendeu o PT nas eleições de 2018.
A troca de farpa começou ao ser comentado sobre as operações da Polícia Civil em secretarias de governo, como a de Educação (SEE), que na última sexta-feira (12), foi investigada por supostos superfaturamentos na compra de cestas básicas, funcionários ligados ao setor de licitação foram conduzidos à delegacia de polícia. Na sessão desta terça-feira (16), Pedro Longo chegou a dar a entender que é preciso esperar uma condenação para julgar qualquer nome envolvido. Duarte iniciou o pequeno expediente falando:
— “Ontem comentei um tema sobre as supostas irregularidades cometidas na Secretaria Estadual de Educação. Meu nobre colega, deputado Pedro Longo, líder do governo, na função de defesa irrestrita, disse que defendia o governo e principalmente o devido processo legal, o que é também de minha defesa”.
Segundo o emedebista, não se deve agir na política da mesma forma que o processo penal, caso contrário “irão passar anos roubando sem ninguém tomar nenhuma providência”:
— “Acredito que a pessoa só é considerada culpada após o trânsito em julgado em condenação penal, mas isso, nós estamos falando no devido processo legal penal, não estamos falando de uma suposta irregularidade, não estamos tratando de duas supostas fraudes, não estamos falando de apenas três supostas irregularidades e fraudes, estamos falando de quatro casos suspeitos de superfaturamento. Imagina se nós agirmos politicamente da mesma forma que o processo penal? Vão passar anos roubando sem tomar nenhuma previdência, esse não é o governo que eu ajudei a eleger. Se há suspeita, se há prisão, se há bens apreendidos, tem sim que se tomar providências”, concluiu.
Ao relembrar que ajudou a eleger Gladson Cameli, Duarte acusa Pedro Longo de trazer políticas petistas para dentro do atual governo:
— “Acredito meu nobre colega, não fez a defesa do governo nessas eleições, defendeu o PT, defendeu a Frente Popular, que já vinha há anos nesse sentido, agora está trazendo essa política para dentro do governo Gladson Cameli”.
Pedro Longo se defendeu das críticas, sobretudo afirmando que Duarte distorceu suas falas e apresentou inverdades na sessão, mas não comentou a respeito de ter sido chamado de “petista”:
— “Acho importante me manifestar sobre as palavras do deputado Roberto [Duarte], porque às vezes a inverdade quando é repetida, pode aparentar ser verdade. Embora todos tenham ouvido minhas palavras na data de ontem, bem ao contrário do que deduziu o deputado, nós aqui fomos muito claros em destacar que foi o governador que instalou essa delegacia que investiga de forma mais específica, mais dedicada a eventuais denúncias de corrupção. também foram nossas as palavras no sentido de dizer que o governador Gladson Cameli age de forma republicana, ele não dá jeitinho por ser alguém conhecido, o governador não obstrui investigações e é isso o que nós esperamos dele. Ação republicana, ação dentro da ordem democrática”.
O líder do governo continua a fala alegando que providências estão sendo tomadas por parte do governador Gladson Cameli e defendeu o direito de defesa dos envolvidos:
— “Ao contrário do que disse o deputado Roberto, não significa que providências não venham sendo tomadas, tanto estão que a polícia tem agido com toda a liberdade e esperamos sempre dentro da legislação e aqueles que eventualmente tiverem seus nomes mencionados têm todo direito de apresentar suas versões. Porque muitas vezes deputado Roberto, hoje são outros, mas amanhã pode ser qualquer um de nós e nós vamos reivindicar esses mesmos direitos. O direito que eu quero para mim, eu quero para o Lula, para o Temer, para os filhos do Bolsonaro”.
Duarte finaliza dizendo que solicitou para sua assessoria que providencie a gravação e critica as providências que estão sendo tomadas e defendidas por Longo:
— “Ontem nossa excelência falou no devido processo penal, nós não podemos fugir disso porque o debate está gravado. Hoje, vossa excelência foi mais claro, disse que o governo está tomando providências. Sabe quais são as providências, meus colegas? Liberdade para a polícia agir, pelo amor de Deus, meu doutor. Liberdade para a polícia trabalhar? É isso que o seu governo defende? Eu esperava muito mais. Essas são as providências do governo sobre supostas 4 irregularidades”.




















