Senador Articula Reação no Congresso e Tenta Apresentar Alternativa à Proposta que Reduz a Jornada Semanal; Bolsonaristas Devem Pressionar por Mudanças Durante a Tramitação no Senado
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) interrompeu temporariamente a agenda de campanha presidencial nesta terça-feira (1º) para concentrar esforços em Brasília contra o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1. A movimentação ocorre em um momento em que o texto começa a ganhar um caminho mais definido no Senado.
A estratégia do parlamentar é construir uma alternativa à proposta apoiada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e impedir que o fim da jornada de seis dias de trabalho por um de descanso se transforme em uma das principais bandeiras eleitorais do petista.
PEC da Escala 6×1 Avança no Senado
O relatório da proposta deve ser apresentado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM) nesta quarta-feira (2). Senadores alinhados ao bolsonarismo pretendem apresentar sugestões e pressionar pela inclusão de emendas durante a análise do texto.
Aziz afirma estar disposto a ouvir os demais parlamentares, mas não demonstra intenção de modificar o conteúdo aprovado anteriormente pela Câmara dos Deputados. Para o relator, preservar a versão atual pode facilitar e acelerar a tramitação da PEC.
A proposta estabelece mudanças importantes na jornada de trabalho:
- redução do limite semanal de 44 para 40 horas;
- garantia de dois dias de repouso semanal remunerado;
- manutenção do salário;
- substituição da tradicional escala de seis dias trabalhados por um dia de descanso.
Popularidade do Fim da Escala 6×1 Preocupa Oposição
A reação de Flávio Bolsonaro também tem um componente eleitoral. Pesquisas citadas no debate sobre a proposta indicam forte apoio popular à mudança.
Levantamento do instituto Quaest divulgado em julho apontou que 69% dos entrevistados eram favoráveis ao fim da escala 6×1, enquanto 22% se posicionavam contra.
Diante desse cenário, a oposição enfrenta um dilema político: uma rejeição direta à proposta pode aproximar o discurso de setores empresariais, mas também pode afastar eleitores que defendem uma redução da jornada de trabalho.
A avaliação dentro da campanha de Flávio é que permitir que Lula ocupe sozinho o discurso em defesa do fim da escala poderia dar ao presidente uma vantagem eleitoral entre trabalhadores.
Flávio Bolsonaro Aposta em Proposta Alternativa
Como alternativa à PEC em discussão no Senado, Flávio passou a defender uma proposta apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que também atua na coordenação de sua campanha presidencial.
A ideia não estabelece diretamente uma nova jornada semanal na Constituição. O modelo proposto prioriza a remuneração por hora trabalhada e permitiria ao trabalhador definir a quantidade de horas e os horários de trabalho.
A proposta também prevê que acordos entre empregadores e empregados tenham prevalência sobre convenções e acordos coletivos.
Flávio apresenta o modelo como uma forma de ampliar a chamada “liberdade de escolha” do trabalhador. Em entrevista concedida à Record no domingo (30), o senador afirmou que cada pessoa poderia decidir quanto deseja trabalhar e receber proporcionalmente às horas cumpridas.
Como exemplo, mencionou mulheres que precisam reduzir a jornada profissional por questões relacionadas aos cuidados com os filhos.
Rogério Marinho Prepara Estratégia para Dificultar Votação
Além da apresentação de uma alternativa, a oposição pretende utilizar mecanismos regimentais do Senado para ampliar o tempo de discussão da PEC.
Rogério Marinho, líder da oposição na Casa, deve recorrer a instrumentos como pedidos de vista, debates sobre emendas e outras medidas previstas no regimento.
A estratégia inclui ainda resistência a eventuais acordos destinados a encurtar os prazos de análise da proposta, que precisa passar por votação em dois turnos no Senado antes de seguir para a etapa seguinte de sua tramitação.
Disputa Sobre Jornada de Trabalho Ganha Dimensão Eleitoral
O debate sobre a escala 6×1 deixou de ser apenas uma discussão trabalhista e passou a ocupar espaço relevante na disputa política.
De um lado, aliados do governo Lula defendem a redução da jornada como uma medida capaz de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e ampliar o tempo de descanso e convivência familiar.
Do outro, setores da oposição argumentam que mudanças rígidas na jornada podem elevar custos para empresas e defendem modelos mais flexíveis de negociação.
Com a aproximação das eleições, a disputa pelo discurso sobre trabalho, renda e qualidade de vida tende a ganhar ainda mais importância. A movimentação de Flávio Bolsonaro mostra que a oposição busca encontrar uma posição que dialogue com o eleitor favorável ao fim da escala 6×1 sem simplesmente aderir ao texto defendido pelo governo.
O Que Está em Jogo no Senado
A apresentação do relatório de Omar Aziz será um dos próximos momentos decisivos para a PEC. A disposição do relator de manter o texto aprovado pela Câmara pode reduzir o espaço para alterações defendidas pelos oposicionistas.
Ao mesmo tempo, pedidos de vista, apresentação de emendas e discussões regimentais podem influenciar o ritmo da tramitação.
O embate, portanto, deve ocorrer tanto em torno do conteúdo da proposta quanto da velocidade com que o Senado pretende analisar a mudança na jornada de trabalho.
A tentativa de Flávio Bolsonaro de interferir na tramitação da PEC da escala 6×1 coloca o tema no centro da disputa política e eleitoral. Ao mesmo tempo em que a oposição busca dificultar mudanças na jornada propostas pelo governo, também tenta construir uma alternativa baseada na flexibilidade e na negociação.
O avanço da proposta no Senado deverá definir se o fim da escala 6×1 ganhará força como uma das principais pautas trabalhistas da campanha eleitoral ou se haverá espaço para um modelo alternativo defendido pelos oposicionistas.
E você, é a favor do fim da escala 6×1 ou prefere um modelo de jornada mais flexível? Deixe sua opinião nos comentários.
O que é a escala 6×1?
A escala 6×1 é um modelo de jornada em que o trabalhador cumpre seis dias consecutivos de trabalho e tem um dia de descanso.
O que prevê a PEC que acaba com a escala 6×1?
A proposta em discussão prevê a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, dois dias de repouso semanal remunerado e o fim do modelo tradicional de seis dias trabalhados por um de descanso.
Flávio Bolsonaro é contra o fim da escala 6×1?
Flávio Bolsonaro atua contra o avanço do texto atualmente em discussão e defende uma proposta alternativa, apresentada por Rogério Marinho, baseada em maior flexibilidade na definição da jornada e na remuneração por hora trabalhada.
Quem é o relator da PEC no Senado?
O relatório da proposta está sob responsabilidade do senador Omar Aziz (PSD-AM), que sinalizou disposição para ouvir sugestões dos demais parlamentares, mas não pretende alterar a versão aprovada pela Câmara.
A PEC já foi aprovada pelo Senado?
Não. A proposta ainda precisa cumprir as etapas de tramitação e votação no Senado. Para avançar, deverá ser analisada e votada em dois turnos na Casa.
Por que Flávio Bolsonaro interrompeu a campanha presidencial?
A decisão está relacionada à estratégia de atuar diretamente na tramitação da PEC e tentar construir uma alternativa ao texto apoiado pelo governo Lula. A pauta também possui relevância eleitoral devido ao elevado apoio popular ao fim da escala 6×1.
O que Rogério Marinho pretende fazer contra a PEC?
Rogério Marinho, líder da oposição no Senado, pretende utilizar mecanismos regimentais, como pedidos de vista e discussão de emendas, além de resistir a acordos que possam acelerar a análise da proposta.




















